Na Política

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08/01/13 | 21:30h (BSB)

“Nunca tivemos um estado tão violento, nunca tivemos um Estado tão endividado”

Eduardo deixa evidente que a oposição voltará a rejeitar o Proinveste. “Temos que manter a coerência”

Por joedson Telles

 

“Não mudou uma vírgula.” Esta frase conhecida na rica língua portuguesa resume bem o que povoa a mente do senador Eduardo Amorim (PSC), quando o assunto é o Estado contrair um empréstimo de R$ 727 milhões, mesmo diante dos renovados apelos dos governistas para ter o aval da Assembleia Legislativa para a transação financeira. “Somos contra essa política de que crise se vence tomando dinheiro emprestado. A situação fica mais difícil quando a gente começa a pagar tudo isso, e paga pelos próximos 20 anos. Então é muito preocupante”, insiste. Eduardo Amorim também comenta, nesta entrevista, a dívida avaliada em mais de R$ 100 milhões, que os secretários do prefeito João Alves Filho (DEM) asseguram que ele herdou do então prefeito Edvaldo Nogueira (PC do B). E deixa evidente que o PSC não está condicionando o apoio que está dando ao governo João Alves a cargos.

 

Qual o balanço que o senhor faz do ano de 2012?

É um balanço positivo. 2012 foi um ano de muito trabalho, de campanha eleitoral , de muitas conquistas, esperança renovada em muitos cantos do nosso estado. Novos gestores, gestores que continuam e que a gente possa ter um Sergipe muito melhor.

 

O PSC não está compondo o secretariado de João. Mais uma vez o PSC vai contribuir sem exigir nada?

Exatamente. Esse é o perfil. Eu sei que isso pode ser até imaginável no mundo político, mas a gente entende que isso é o correto. Deixa realmente (o prefeito) à vontade, para ele escolher os seus auxiliares sem imposição e com diálogo sempre como fizemos na composição da Mesa (da Câmara Municipal de Aracaju).

 

O time de João Alves é bom?

Eu falo de duas pastas: Saúde, Goretti (Reis) é extremamente capaz, um desafio muito grande, me prontifiquei a ser realmente uma pessoa para ajudar em Brasília todas as vezes que ela for. Outra é na área do meio ambiente que é uma coisa inovadora e precisamos resolver a questão do lixo na capital.

 

Secretários de João Alves acusam o ex-prefeito Edvaldo Nogueira (PC do B) de ter deixado uma dívida de mais ou menos R$ 100 milhões. Como o senhor avalia isso?

Com muita tristeza.Deixar dívidas na saúde e em várias áreas. Imagine se não tivesse a Lei de Responsabilidade Fiscal. A gente vive em um país onde o gestor tem que ter compromisso. Aracaju tem muitos problemas, e, agora, eles estão emergindo, desde dívidas a outras questões. O desafio é grande. Espero realmente que ele (João) possa transformar a esperança em dias melhores para todos os aracajuanos.

 

Uma dívida de mais ou menos R$ 100 milhões assusta?

Assusta. Eu confesso que fui surpreendido quando fiquei sabendo do número da dívida. É um número expressivo e preocupante. Eu acho que medidas devem ser tomadas. É preciso realmente enxugar e separar a máquina, e tem que ser alguém experiente. Doutor João tem essa experiência com certeza. É difícil compreender (a dívida) para quem sempre pregou uma unidade. Mas o partido é apenas uma sigla. Isso muito se deve a algumas pessoas que esquecem o dialogo, coisas muito simples, que vivemos na democracia e que é preciso dialogar, transparência, enfim.

 

O senhor recebeu muitas críticas da bancada do governo na Assembleia por conta da rejeição aos projetos do Proinveste. Depois veio a história do “doce” e, agora, fala-se na reapresentação dos projetos. E agora?

Temos que manter a coerência. Somos contra essa política de que crise se vence tomando dinheiro emprestado. A situação fica mais difícil quando a gente começa a pagar tudo isso, e paga pelos próximos 20 anos. Então é muito preocupante. E têm outros dados que se tem que questionar. Como está nossa situação previdenciária? Estamos com déficit previdenciário? É preciso ter cuidado com tudo isso. O que se fez realmente com o dinheiro emprestado nos últimos três anos? O Estado devia pouco mais de R$ 800 milhões, mas hoje deve mais de R$ 2 bilhões e com esse empréstimo podemos ir para cinco vezes mais, comprometendo o Estado pelos próximos 20 anos. Melhorou a nossa Saúde? A nossa Segurança Pública?A nossa Educação? Diminuiu os índices de analfabetismo? Não é isso que a imprensa vê no dia-a-dia. Os nossos fornecedores estão recebendo em dia? Não é isso que a gente escuta. É preciso fazer esses questionamentos. Temos alguma garantia que o servidor continuará recebendo seu salário em dia? Sergipe não tem historia de atrasar salário de servidor, mas na medida que se toma dinheiro emprestado e se dá garantia que a fonte é o salário do servidor realmente é muito preocupante. É preciso agir com muita consciência, e essa questão do ‘doce’ é muito agressiva. É uma coisa que eu acho que o parlamento tem que tomar cuidado com essas agressões.

 

Pelo que a gente percebe, então, a oposição vai rejeitar os projetos outra vez?

Isso cabe aos deputados. Eu acho que o governo precisa ter o cuidado fiscal conta por conta. Precisa enxugar o que precisa enxugar, pagar o que precisa pagar, para que a saúde não entre em seu estado de coma, porque, pelo que a gente vê, uma saúde em estado de coma. Não dá para entender porque o governo demora tanto para licitar o projeto do Hospital do Câncer, tendo o dinheiro na conta. Isso enfraquece até o pedido perante o Governo Federal para mandar mais dinheiro para o Hospital do Câncer. Mandar para que? Para colocar dinheiro no banco? Eu ouvi isso. Ouvi isso no Congresso, por pessoas do governo. Não dá para compreender isso, principalmente quando a gente lembra que são mais de seis mil pessoas que têm câncer ano a ano nosso estado, fora aqueles que já vêm tendo acompanhamento. É um número grande e que precisa de um hospital como esse, e a gente não compreende porque não começa a obra. É muita gente morrendo e o sofrimento. Tem que se colocar no lugar de quem não pode ir para canto nenhum, e que a única porta de salvação é a do João Alves e quando essa porta fica inacessível, como eu vi uma paciente que foi diagnosticado um tumor cerebral, foi indicada uma radioterapia e quando foi fazer uma nova tomografia quatro meses depois não tinha som um tumor: tinha quatro tumores. Desejo e continuarei rezando para que o governo possa melhorar nossa segurança, para que tire nossa saúde do estado de coma, porque é incompreensível que em um estado pequeno como nosso a gente tenha 800 homicídios por ano. É uma coisa inaceitável. Sergipe passar a ser o sexto estado mais violento. São coisas que a gente vem acumulando ano a no. Nunca talvez tivemos nossa saúde nesse estado, nunca tivemos um estado tão violento, nunca tivemos um estado tão endividado.

 

Pelo que o senhor fala, o governo está falido. É isso?

Eu não sei te dizer, mas as contas em relação ao endividamento têm sido muito ruim. Ano a ano mais dívida, dando-se como garantia sempre o salário do servidor. Certeza que vamos pagar isso nós temos porque já vem descontado no Governo Federal. Na hora que o Governo Federal repassar nosso FPM, nosso ICMS, já vem descontadinho. Primeiro vai para o banco e o que sobrar, mesmo que a gente não tenha dinheiro para educação, para remédio, para o servidor, o Governo Federal não vai querer saber.

 

Como a oposição recebe o discurso que quem rejeitou o Proinveste terá, em 2014, um desgaste junto à sociedade?

A gente tem que continuar agindo com o mesmo compromisso. Eu fui um daqueles que acreditei no governo que está, mas durante a vida da gente temos as nossas frustrações. Mas os eleitores generosos conosco nos dá liberdade para corrigir o nosso rumo. Como disse o poeta inglês no final do século XIX: somos senhores do nosso destino porque Deus nos dá todas liberdade para isso. Então, corrigimos nosso rumo.

 

Da redação Universo Político.com



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