Na Política

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01/03/17 | 09:44h (BSB)

Mendonça: “Fragilidade dos líderes da oposição tem ocasionado migração”

Em entrevista, ele fala do lixo e demais problemas que a Emsurb tem para encarar e dá palpites políticos

Do Portal NaPolítica

Por Raissa Cruz

 

O presidente da Empresa Municipal de Serviços Públicos (Emsurb), Mendonça Prado, em entrevista ao Portal NaPolítica falou dos problemas que Aracaju vem enfrentando sobre a coleta de lixo, a dívida com a Cavo e as providências que precisará tomar para com os mercados, feiras livres e o Parque da Sementeira. “O contrato (do lixo da gestão anterior) foi formulado de uma forma que permitiu que esses fatos ocorressem e houve por parte da administração uma inércia”, disse ele, comentando ainda sobre a degradação dos canais e a problemática dos alagamentos na capital. E, como articulador político, o ex-deputado federal Mendonça Prado, apontou “fragilidade” na oposição desmerecendo a liderança do senador Eduardo Amorim, e alfinetou o ex-prefeito João Alves Filho - “o tempo deu a ele os ensinamentos que procurou receber”.

 

NaPolítica: Durante a campanha eleitoral o problema da coleta de lixo foi muito debatido, inclusive com a promessa do prefeito de que houvesse uma mudança logo no início do mandato. A Emsurb está apostando no contrato emergencial, mas o que realmente sendo planejado para se resolver o problema?
Mendonça: Nós entendemos que com o contrato emergencial vamos resolver consideravelmente e a população nos primeiros 15 dias vai sentir os efeitos da mudança. Evidente que Aracaju precisa realizar um processo licitatório e nós assumimos o compromisso com Tribunal de Contas de fazer no prazo de 90 dias a partir do início da vigência do contrato emergencial (que tem prazo de 120 dias).

 

NaPolítica: Quais os pontos indispensáveis a serem destacados no edital de licitação para que Aracaju não tenha mais problemas em relação ao lixo?
Mendonça: Nós temos que formatar um modelo que seja mais adequado para Aracaju, porque o serviço que precisa ser contratado não é apenas só de varrição. Você tem a varrição, capinação, limpeza dos canais, poda das árvores, a questão do destino final do lixo orgânico, o destino final dos resíduos da construção civil e outros serviços. É necessário que se tenha uma análise de cada item no contrato a ser definitivo. Vamos apresentar um modelo que seja melhor para a nossa cidade, um contrato único ou diversos contratos. Tudo isso será analisado com muita calma para a licitação possa melhorar.

 

NaPolítica: Em relação à empresa de coleta Cavo, como a prefeitura pretende sanar essa dívida que a empresa aponta desde a gestão anterior?
Mendonça: A Cavo apresentou uma proposta com base no decreto de Edvaldo Nogueira para receber o seu crédito à vista com defasagem de 30%. Ela já protocolou essa proposta e vamos encaminhar para que a partir de março seja avaliado esse passivo de 2016, já o ano de 2017 estamos em dias com pagamentos antecipados.

 

NaPolítica: Avaliando a problemática da coleta de lixo que vem desde a gestão passada, o que você acha que faltou? Foi meramente um problema técnico em relação à empresa contratada ou foi de administração pública?
Mendonça: Acho que o contrato foi formulado de uma forma que permitiu que esses fatos ocorressem e houve por parte da administração uma inércia. Não houve nenhuma ação para impedir esses fatos e a empresa contribuiu para isso. Uma empresa que passa um ano e permite que seu crédito chegue a esse valor sem que ela busque uma negociação, ela está permitindo que esse crédito se acumule e que chegue a ordem de R$ 23 milhões. E essa empresa que agiu com tranquilidade durante a gestão anterior quer que a gestão atual efetue o pagamento em 60 dias. Uma empresa de porte que queira atuar em uma cidade como Aracaju, ela precisa entender que pode haver atrasos e precisa estar preparada para isso, e no nosso contrato estamos estabelecendo previsão para isso. A empresa precisa ter suporte, capacidade técnica e financeira. Se a empresa não tem como fazer isso, ela deve pedir para se afastar do serviço e não fazer o que estamos vendo na nossa cidade. Uma discussão jurídica na justiça do trabalho com uma empresa discutindo se vai dar água ou não aos trabalhadores.

 

NaPolítica: Aracaju tem um grande problema com o número de pontos de alagamentos, mesmo diante de poucas chuvas. Como a Emsurb pode contribuir para com a melhora dessa situação?
Mendonça: O que a Emsurb pode e deve fazer é oferecer serviços de limpeza porque as bocas de lobos têm problemas de limpeza. É o papel da Emsurb que vamos dar a nossa contribuição, assim como os canais que por falta de limpeza, a cidade não consegue fazer com que as águas sigam o leito natural e sigam para o seu destino final. Muitas vezes ela fica barrada por sujeira. Nós, este ano, já começamos a limpeza dos canais, a exemplo do Lourival Batista.

 

NaPolítica: Os pontilhões que cruzam os canais por trás do Batistão e vão até o Jardins têm suas lajes com armadura exposta e contato com a água do canal, isso por si só é apontado por engenheiros como sinal de degradação da estrutura e pode comprometer a segurança. O que a gestão da Emsurb pensa sobre isso e como pode cooperar com a Emurb?
Mendonça: Olhe, o Dr. Ferrari que é o presidente da Emurb tem preparado projetos para assim que a prefeitura tiver um equilíbrio financeiro ou conseguir parcerias, Aracaju será submetida a serviços e obras para resolver a questão dos canais. Nós temos outros que precisam ser revestidos, a exemplo no canal São Carlos no Santa Cleide. Nós temos muitos problemas de canais, que serão resolvidos muito em breve.

 

NaPolítica: Setores da engenharia apontam que com o avanço da obra da Praia Formosa houve obstrução da saída do canal, e por conta disso o nível do canal está alto. Se coincidir o horário de fluxo do canal, com maré alta e a chuva torrencial acaba resultando no transbordo em outros pontos, como na Praça da Imprensa. O que a Emsurb tem feito para buscar sanar o problema apontado naquela obra auxiliando a Emurb?
Mendonça: A Emsurb cuida da limpeza. A solução do canal também vai ser na atuação da Emurb porque a solução de engenharia é a construção de tubos para que a água seja destinada até o centro do rio Sergipe, porque, de fato, nós temos uma obstrução. Estamos tendo um acréscimo de areia e entupimento. Mas enquanto isso não ocorre, porque é uma obra cara, a Emsurb deverá realizar a limpeza, como paliativo.

 

NaPolítica: Diante do crescimento da cidade e acompanhando as discussões do projeto de revisão do Plano Diretor, como a Emsurb pretende se envolver para que seja incluída nos debates a questão da limpeza da cidade?
Mendonça: Um Plano Diretor moderno precisa reservar e ter condições de estabelecimento de metas nas áreas de preservação permanente, nos espaços reservados para os canais, principalmente em Aracaju que tínhamos mangues. Vamos ter que ter uma preocupação com a Zona de Expansão para que possamos ter um processo de drenagem eficiente para evitar enchentes. Isso tudo deve ter no Plano Diretor, que certamente deve ser debatido por órgãos constituídos de especialistas como CREA, setor de engenharia, ambiental para que não tenhamos leis ineficientes.

 

NaPolítica: Que outras ações podem ser destacadas sobre o planejamento da gestão da Emsurb para ainda esse ano?
Mendonça: Após sairmos dessa polêmica emergencial da limpeza pública, que eu acho que é algo muito simples, mas que estão fazendo disputas, e compreendemos que há disputas de empresas, o que acontece nas licitações de grandes valores. Mas depois disso a Emsurb vai avançar muito, por exemplo, os mercados, nós queremos que eles tenham custos mais baixos e a primeira proposta é de viabilizar ferramentas tecnológicas para que a Emsurb possa arrecadas recursos para a administração, além das taxas pagas pelos feirantes. Vamos colocar telões no mercado para divulgação dos próprios comerciantes. É claro que a iniciativa privada que vai fazer uso, mas vai reverter recurso para os mercados, e este será utilizado naquele mercado onde houver a divulgação. Estamos fazendo um levantamento da concorrência desleal ao redor do mercado. Vamos fazer licitação para as feiras livres, que vão seguir horário para instalação, limitação de espaços. Também vamos fazer um PPP para o Parque da Sementeira. Vamos reservar uma área do parque para que a iniciativa privada faça a manutenção do parque, que pode ser um centro gastronômico, um restaurante, um empreendimento turístico e vamos destinar isso para que o parque tenha uma manutenção permanente e para que os órgãos públicos possam ser retirados do parque, que causa transtorno para a população.

 

NaPolítica: O que Mendonça espera da gestão de Edvaldo Nogueira?
Mendonça: Edvaldo fará uma grande administração. Ele tem demonstrado experiência, competência, e o planejamento dele para os quatro anos é extremamente frutífero. Edvaldo recebeu a prefeitura com uma dívida de R$ 550 milhões, quando percebeu isso ele tomou a atitude correta, organizou as finanças e no decorrer desse primeiro ano ele já vai organizar a máquina nas condições de realizar serviços e obras essenciais para a cidade. Ele tem um estoque de uma dívida de R$ 550 milhões e vai parcelar em 48 vezes. Essas dívidas estão suspensas por 60 dias e isso vai permitir que no final do primeiro ano a gente tenha uma redução na faixa de R$ 200 milhões com uma organização financeira que ninguém pensou anteriormente, mas Edvaldo pensou e está planejando. Vamos viver um ano e meio com dificuldades ainda, mas depois a administração vai deslanchar e vai resolver os problemas de Aracaju.

 

NaPolítica: Mendonça que foi um dos primeiros da oposição a ir para base governista de Jackson e Edvaldo, como vê muitos membros da oposição migrando também para esse agrupamento? E espera ver dona Maria e João também se aliarem a Jackson e Edvaldo?
Mendonça: Cada um escolhe o seu destino, a minha vinda para a base de Jackson todos sabem que o que aconteceu foi uma opção política. Eu quis votar nele para o Governo do Estado. Tenho consciência de que alguns políticos não têm condições nenhuma de administrar o Estado, por questões de razão ética, honestidade, honradez e dignidade. As pessoas sofrem de insuficiências desses pré-requisitos para quem deseja administrar o Estado. Isso me fez vir para o grupo do governador e estou sendo muito bem tratado. Estou ajudando ele e o prefeito Edvaldo Nogueira.

 

NaPolítica: E quanto essa migração de muitos da oposição para a situação, nomes como Laércio Oliveira, Capitão Samuel...
Mendonça: Convivo bem com todos. A oposição, em função da fragilidade dos seus líderes, é que está ocasionando essa migração. Um líder que tem credibilidade, os seus seguidores permanecem juntos até o final, quando ele perde a credibilidade.... É o que eu sempre disse, que não tinha credibilidade, agora está se confirmando. As pessoas estão se distanciando, até aqueles eram ferrenhos também. Só espero que Amorim e companhia limitada não procurem o governador, pois serei o primeiro a sair do grupo.

 

NaPolítica: E João Alves e dona Maria?
Mendonça: Não tenho nenhum problema de convivência com João e Maria do Carmo. Tenho um carinho muito grande pela senadora. Votei nela e no governador abertamente. Quanto ao prefeito João Alves, acho que o tempo é o senhor da razão, e sobre as decisões que ele tomou em relação a mim de me perseguir e não me deixar participar dos programas, o tempo deu a ele os ensinamentos que ele procurou receber.


Da redação



20-10-2017
 

 

 

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