Na Política

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14/02/16 | 20:46h (BSB)

Machado acredita na união do PSDB, PSC e DEM, mas não quer ser um vice rifado

Vice-prefeito fala das articulações eleitorais, e recomenda a João “encarar o povo" para falar das dificuldades

Por Raissa Cruz

Quando o assunto é eleições municipais ele insiste que não quer ser “rifado”. Em entrevista ao napolitica.com, o vice-prefeito de Aracaju, José Carlos Machado, fala de sua permanência no PSDB, acreditando que “o PSDB, PSC e DEM vão estar juntos em 2018, com a mesma intenção que é tirar do poder os que aí estão... Se vamos estar juntos em 2018, por que não estarmos juntos em 2016?”, questiona ele. No entanto, o vice-prefeito reconhece o grande afinamento do seu partido com o PSC, que, por sua vez, quer espaço majoritário na disputa eleitoral em Aracaju e já fala em candidatura própria. “Se esse candidato for Eduardo Amorim, não tenho dúvida que o PSDB vai apoiar, e, assim, eu vou ter que deixar o partido”, comenta. Machado nota também uma indisposição interna no seu partido consigo no quesito composição com um vice. “Pode ser todos, menos Machado? Se for isso que querem colocar vai haver uma reação”, reclama ele, afirmando, contudo, não ser “obstáculo para nada”. O vice-prefeito fala ainda das dificuldades para se administrar a capital e do que aguardará o prefeito João Alves Filho (DEM) na disputa à reeleição: “ele precisa ser inteligente e encarar o povo dizendo que as dificuldades aconteceram por causa disso e disso”.

 

Machado já sabe para qual partido pretende ir ou decidiu permanecer no PSDB? E sob quais condições permanecerá?

Veja bem, uma das atitudes mais difíceis que tive na minha vida foi sair dos Democratas na véspera das eleições de 2012 para ingressar no PSDB, e fiz isso depois de, sobretudo, ouvir as lideranças dos Democratas a nível nacional. Cresci no PSDB e construímos uma aliança, essa aliança levou João Alves à prefeitura. Mas há um ano fui comunicado por Aécio Neves que o partido tinha intenção de ter nos seus quadros o senador Eduardo Amorim. Eu de pronto disse: tudo ok. Se o senador vem para o partido, não há o que se discutir. É um reforço extraordinário. Qual o partido não queria ter um senador nos seus quadros? No entanto, as coisas não evoluíram da forma que eu esperava e, mesmo com todos os problemas, eu queria tomar uma decisão. Eu tenho que continuar no PSDB porque acredito que esse bloco que elegeu João vai estar junto em 2018. Não sei se vamos estar necessariamente todos juntos em 2016, mas vamos procurar estar juntos também. Acredito nessa possibilidade, mas ao passar dos anos esse ou aquele partido do bloco manifesta interesse em lançar candidato. Inicialmente, André Moura disse que tinha interesse em ter candidatura própria do PSC, mas recentemente os aliados do senador Eduardo Amorim manifestaram de forma clara o nome dele e ele admitiu a possibilidade de ser candidato à prefeitura. Se essa intenção se confirmar, necessariamente vou ter que deixar o PSDB. Para onde vou, não sei. Graças a Deus, tenho recebido convite de vários partidos. Ano passado foi do PPS e PSD. Mas temos que aguardar mais um pouco. O agrupamento do senador vai se reunir no dia 15 e vamos esperar, mas o meu candidato é João Alves. Apesar de muitas divergências que tenho com João, somos afinados politicamente. Uma parceria de mais de 40 anos. Se parte desse agrupamento que esteve conosco em 2012 passar a ter candidatura própria, e se esse candidato for Eduardo Amorim, não tenho dúvida que o PSDB vai apoiar Eduardo Amorim, e, assim, eu vou ter que deixar o partido.

 

Para acalmar esses ânimos entre o PSDB e PSC, o senhor aceitaria aguardar para disputar a candidatura ao Senado em 2018 e daria a vaga de vice para o PSC definir?

Colocam essa coisa de vice como se fosse algo fundamental, pode ser até importante, mas, na minha avaliação, não é fundamental. O que nós temos que discutir é o candidato majoritário. Todo partido quer indicar o vice, mas só tem uma vaga. Para que ocorra entendimento, precisa haver desprendimento. E essa discussão precisa ser feito com a coordenação do candidato majoritário. O candidato à vice não pode atrapalhar, no mínimo deve ajudar de alguma forma. Acho que precisamos tratar isso no momento certo. Vai ser Machado? Pode ser e pode não ser. O que não admito é ser rifado. Sempre escuto falar que pode ser esse aqui ou aquele outro, mas nunca citam Machado. Ora, pode ser todos, menos Machado? Porque se for isso que querem colocar vai haver uma reação.

 

Como uma representação do PSDB, Machado acha então que se seria dar um passo atrás ceder o espaço ocupado hoje pelo PSDB na majoritária para definição do PSC?

Não sei. Quais são os três maiores partidos com representações no Congresso nacional? PMDB, PT e PSDB. O PSDB ter candidato na chapa majoritária é importante para o partido. Nós estamos com a possibilidade de ter vários candidatos a vereador e temos chances de eleger dois ou três só em Aracaju. Qual a intenção disso tudo? É pensar nas eleições de 2018. E o PSDB, PSC e DEM vão estar juntos em 2018, só não sei se será com o mesmo candidato. Mas pelo menos com a mesma intenção que é tirar do poder os que aí estão e aniquilaram o país. É nisto que precisa se pensar: a nossa intenção em 2018 é ganhar o Governo do Estado e a Presidência? Se vamos estar juntos em 2018, por que não estarmos juntos em 2016? Machado não é obstáculo para nada, só não admito ser rifado!

 

Então o senhor tem sustentado nas discussões internas que a disposição dos partidos em manter a união e ceder espaço vai refletir em 2018? Isso inclusive para o PSDB...

Sim, eu acredito. Se eu estou no PSDB até agora é porque acredito muito nessa possibilidade. Tenho conversado com Laércio Oliveira, Eduardo Amorim, André Moura e o presidente do PSDB Pedrinho Barreto, porque acredito nessa possibilidade. Manda o bom senso que estejamos juntos.

 

A especulação sobre o nome da ex-vereadora Dra. Emília Correia, que agora faz parte do PSDB, para compor a chapa majoritária com João, ou até na chapa de outros grupos, como com o deputado Valadares Filho (PSB). Como Machado avalia?

Eu tomo conhecimento dessas coisas através da imprensa. Está se especulando muito. Uma semana é Emília na outra é a promotora Euza Missano, 15 dias depois não é nem Euza, nem Emília Correia e já é Eduardo Amorim. Acho que essas especulações são naturais e essa forma de conduzir a política é a tradicional daqui. Nossos costumes sempre foram assim. Acho que está na hora de produzirmos bons exemplos. Só lamento porque em nenhum momento das especulações o nome de Machado foi lembrado. Eu e o vereador Adriano Taxista somos os únicos do partido que temos mandato em Aracaju e não somos consultados para nada.

 

Está lamentando então uma indisposição interna do partido com os senhores?...

... Só não lamento porque quem se lembra não tem essa obrigação, mas lembram de Euza Missano, que foi homenageada através de uma indicação do segmento do PSDB Mulher e referendada pela Executiva do partido, portanto teve minha participação. E eu a convidei para ingressar no partido, mas na época ela disse que a Constituição não permitia. Hoje já diz que nunca foi convidada por ninguém. Já Emília Correa, sou um dos responsáveis pela vinda dela ao PSDB. Disso com certeza lembram.

 

Diante dessa declaração pública de apoio do PSD ao PSB com a candidatura de Valadares Filho, que pelo visto o governador não gostou, considerando antecipada, há uma esperança para os senhores de que o mesmo Jackson que buscou o apoio de João Alves para o governo busque estar com ele para prefeitura de Aracaju, rifando já aliança com o senador Amorim? E essa construção já estaria sendo feita através do vereador Robson Viana (PMDB) que luta pela união João e Jackson?

O Robson não esconde o que pensa. Ele é um intransigente defensor da candidatura de João Alves à reeleição. E ele é dos quadros do PMDB, embora os dirigentes do seu partido também não escondam a contrariedade com isso. Eu acho difícil essa aliança entre Jackson e João, mas não a descarto. Já conversei algumas vezes com Jackson e para mim ele foi claro. A postura do presidente da Assembleia, Luciano Bispo (PMDB) também foi clara. Ele diz que de 100 a possibilidade de aliança entre Jackson e João é menos 10. Essa possibilidade é remotíssima. Nada. Mas vamos aguardar...

 

Quando Machado acha que essas coisas vão se resolver? O que é preciso?

Acho que muito depois do carnaval. O quadro está completamente indefinido. João não se diz candidato à reeleição, mas eu o conheço e sei que ele é candidato. Amorim disse que terá reunião no dia 15 e dentro do grupo já há definições. Esse agrupamento da Federação do Comércio aposta na candidatura de Laércio Oliveira para senador. É uma figura de peso. No grupo de Jackson, falam-se do nome de Valadares Filho e Edvaldo Nogueira (PCdoB), que, por sua vez, diz que não aceita ser prato feito. Jackson aposta em uma candidatura do PMDB com o PT, então o quadro está indefinido de todos os lados. Para mim João é candidato à reeleição, se contar com Eduardo Amorim, ótimo. Se não, acho que João deve continuar com essa pretensão e disputar porque ele tem uma visão de futuro extraordinária.

 

Falando da prefeitura, qual foi o pior momento deste mandato para João e Machado?

Aracaju é um condomínio complexo para se administrar. Digo a João que é mais fácil administrar o Estado do que administrar a Prefeitura. Hoje você não controla essas redes sociais. O problema da cidade eu coloco na cama do prefeito. Abro meu telefone antes de dormir e tomo conhecimento rapidamente de vários problemas. Então você precisa ter vocação para de dedicar aos grandes problemas e João é especialista nisto. Ele que criou no governo quase todo o sistema viário daqui, porque já pensava no desenvolvimento para os dias de hoje. Enfim, para mim não há piores momentos, mas as dificuldades são muitas e a maior delas é a falta de dinheiro. Ter que conviver com uma coisa gravíssima que é a falta de recurso. Você acha que João Alves e Jackson atrasam a folha porque querem? Não, é por falta de recursos. Outra grande dificuldade é a burocracia. Um recurso do Município a União decide se vai destinar ou não, e passa para o Estado que decide se envia para o Município. Burocracia o tempo todo...

 

Essa dificuldade de recurso é um dos motivos para João não ter cumprido as promessas de campanha das grandes obras?

Quando fomos para a campanha em 2012, a realidade era outra. Isso mudou muito nos últimos três anos e afetou muito a gestão. Quando João se elegeu prefeito pensou em contar com o governo federal, mas não se conta com o Governo Federal para absolutamente nada! E isso afetou todo o planejamento que se tinha. Há uma possibilidade de reeleição e João tem consciência. Ele costuma dizer que não foram promessas, mas compromissos que assumiu com a população, e vamos fazer de tudo para resgatar e cumprir. O maior compromisso foi o BRT que já começou, mas o povo não percebe ainda. Logo se notará. E por qual motivo não aconteceu antes? João quando assumiu encontrou um processo de licitação que só contemplava o Município de Aracaju. Essa forma de licitação sem integração do sistema era contestada pela Prefeitura de Socorro. Então nós tivemos que repensar isso. O ex-prefeito deixou um projeto de mobilidade com quatro corredores e tivemos que ampliar para 10, mas se o sistema deixa de ser Municipal para ser Intermunicipal, a prefeitura já não tinha como fazer, foi então necessário o consórcio do transporte público pelo Estado, que também demorou muito para acontecer. Então foi muita dificuldade. O que posso garantir é que nunca convivi com um político de visão do futuro como João Alves Filho.

 

O senhor acha que João vai agora para a disputa enfrentando uma dificuldade maior por não ter conseguido realizar tudo que prometeu?

Seria ótimo se tivéssemos executado todos os compromissos de campanha. Ele precisa ser inteligente e encarar o povo dizendo que as dificuldades aconteceram por causa disso e disso. Essa dificuldade de licitar o transporte por conta da burocracia, como disse, nós precisávamos ter um consórcio autorizado por lei, e essa lei só foi aprovada em 2015. Isso já justifica muita coisa. E apontar as outras coisas... O Governo Federal, por exemplo, nos autoriza a começar a Maternidade do Santa Maria prometendo enviar a verba, um mês depois diz que não tem recurso. É excesso de burocracia. No mais, o que marca um mandato? Só obras? Esta visão precisa ser mudada.

 

Sobre os compromissos para agilidade nos serviços da saúde, o que o senhor pode falar? E quanto ao Hospital Cirurgia? A Justiça chegou a bloquear nesta última semana R$ 5 milhões da prefeitura por uma dívida com o hospital...

Não estou por dentro disso do bloqueio, mas tenha certeza que isso é consequência do excesso de burocracia. Se o Governo federal precisa passar recurso para o Município que passe de forma direta. Mas não, repassa para o Estado, que também está passando por dificuldades, e “esquece” de passar para o Município. A corda, então, quebra do lado mais fraco. Mas o fato é que está à frente da Saúde de Aracaju um jovem talentoso, que está melhorando e vai melhorar ainda mais. O que precisa haver é parceria entre as secretarias de Estado e do Município, porque quando os postos estiverem funcionando bem quem ganhará também é o Estado. Já que, com os postos funcionando bem, o povo não vai procurar o HUSE. Eu até propus uma central de compra, porque às vezes o Município compra quatro e o Estado compra cinco do mesmo produto, e nem usam tudo. Hoje é muito complicado porque o Município, sem condições, nega o tratamento especializado, o cidadão vai ao MPE que obriga e chega às despesas extras... É preciso dividir as responsabilidades para cada um. O governo Federal cria um programa de creche e entrega ao Município o dinheiro só para construir. E que vai manter? O Município de Aracaju é obrigado a pagar a merenda escolar que tem um custo de R$ 2,50 em média por dia cada, mas o Governo Federal envia R$0, 25. É preciso discutir tudo isso.

 

O que o senhor pode garantir que já João vai concluir de obras até o fim do mandato?

O BRT está tendo seu início de implantação e até junho dois corredores começam a funcionar. Tem o corredor da Euclides Figueiredo que já está em andamento. Algumas obras de urbanização serão concluídas e algumas obras extraordinárias também como a da Beira Mar. É difícil administrar Aracaju. É um condomínio extremamente complexo, e quem decide administrar enfrenta dificuldades 24 horas por dia.

 

Da redação Na Política

 

 



23-05-2017
 

 

 

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