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25/11/14 | 13:22h (BSB)

Lucimara vai à tribuna da Câmara sem calcinha e desafia Agamenon

Declaração de vereador sobre suposta notícia de mulher que tentou casar sem calcinha gera polêmica

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Lucimara: Alguém pode me chamar de vagabunda ou dizer que tenho que ser surrada?

Por Raissa Cruz

 

No Dia de Combate à Violência contra Mulher, o tema principal da Câmara dos Vereadores de Aracaju foi a calcinha da vereadora Lucimara Passos (PCdoB), erguida por ela enquanto discursava da tribuna da Casa, usando apenas seu vestido e um terninho. A vereadora esteve ali rebatendo declarações do vereador Agamenon Sobral (PP), que se teria criticado duramente uma mulher que tentou casar-se sem calcinha, mas foi barrada pelo padre. “Ela devia ganhar uma surra de couro cru e um banho de sal”, disse o vereador, comentando sobre o caso, em entrevista a um programa de rádio na manhã desta terça-feira, 25.

 

A suposta notícia especulada nacionalmente em 2012, afirmando que o fato aconteceu em Alagoas, dizia que a igreja estava com tapete espelhado e o padre teria visto tudo. A especulação chegou a ser taxada de falsa notícia. No entanto, um vereador do Espírito Santo, Ozias Zizi (PRB), chegou a cogitar um projeto que proibisse mulher de casar sem calcinha, e agora o vereador Agamenon estaria seguindo a mesma ideia.

 

Segundo Lucimara Passos, comentando sobre a possibilidade de colocar o projeto, Agamenon já havia mostrado na Câmara indignação sobre o caso especulado da noiva sem calcinha. “Ele repetiu mais de uma vez da tribuna da Casa que uma mulher pelo fato de ter tentando se casar sem calcinha merecia uma surra. Foi um comportamento desprezível e repetido hoje no rádio, que ainda insulta a violência, e julga a mulher ainda merecedora de castigos e surras”, recriminou ela, sustentando que Agamenon havia também se utilizado de palavras de baixo calão para classificar a noiva citada.

 

A vereadora disse ainda que se sentiu atingida com o fato, e deixou o clima tenso na Câmara, desafiando: “hoje vim com vestido mais curto e com minha calcinha no meu bolso. E alguém aqui pode me chamar de vagabunda ou alguém pode dizer que tenho que ser surrada porque minha calcinha estava no meu bolso? Os senhores não têm esse direito!”, bradou a vereadora discursando da tribuna. “Os senhores não podem me julgar ou julgar mulher nenhuma em função da roupa que veste ou da calcinha que usa ou que não usa! Essa calcinha não define meu caráter”, completou ela. Lucimara foi aparteada pelos vereadores Emmanuel Nascimento e Iran Barbosa que concordaram com sua posição, mas negou abrir espaço para o vereador Agamenon, presente também ao plenário da Câmara.

 

Combate à violência

Na oportunidade, Lucimara destacou que desde 1981, a data 25 de novembro é marcada pelo o Dia Mundial do Combate à Violência contra Mulher, e abre um período de campanhas por esta defesa até o dia 10 de dezembro, Dia dos Direitos Humanos. “Essa luta é pela igualdade de gênero e de oportunidade, mas, sobretudo, é pela libertação da opressão dos homens. Infelizmente, ainda nos deparamos com homens que se utilizam da força física para violentar mulheres. E mais triste somos nós legisladores vermos um vereador que se utiliza da tribuna desta Casa para estimular a violência, como fez Agamenon na semana passada”, acusou ela.

 

A vereadora, que já enfrentou diversos embates com o vereador Agamenon Sobral sobre outros temas, disse que continua com seu protesto se retirando do plenário todas as vezes que o vereador se dirige à tribuna da Casa. “Fui diversas vezes agredida nessa tribuna e solicitei quebra de decoro e infelizmente até hoje não recebi resposta da comissão de ética, então vou continuar com meu discurso silencioso. Mas na minha visão essa Casa fechou os olhos com os crimes que esse vereador fez da tribuna”, disse ela cobrando providências.

 

Agamenon: “Sem calcinha, problema dela!”

Comentando a respeito, ainda em plenário, o vereador Agamenon julgou dispensável a presença de Lucimara Passos na Câmara. “Para mim a presença dela não influência em nada nesta Casa. E com relação à questão da calcinha, se ela acha interessante uma cidadã ir para igreja, em seu casamento, sem calcinha, é um direito dela. Como também é direito do povo e do vereador contestar. Sobre a Comissão de Ética, eu também quero que seja efetivada porque já cansei de provar razão várias vezes em tudo que trato aqui. Não tenho medo da comissão. E digo à vereadora Lucimara que ela venha para tribuna de calcinha ou sem, como quiser, o problema é dela!”, disse ele.

 

Da redação NaPolítica

Foto: Acrísio Siqueira/CMA

 



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