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31/07 | 00:47h

Quebrando barreiras em cerimônias tradicionais: Fui casar de bike

As cidades estão cada vez mais se tornando um espaço especulativo, de novas economias e a circulação de pessoas e produtos são consideradas a força motriz deste processo. Como alternativa para uma maior velocidade de circulação das pessoas e dos bens e serviços os automóveis motorizados se tornaram prioridade nas políticas de desenvolvimento urbano o que gerou perdas sociais importantes sobre a identidade dos locais e a deficiência na criação de espaços de convivência.

 

Acompanhando esse processo, a indústria do automóvel impõe uma mudança de comportamento sobre a sociedade e estabelece o carro como um meio de demonstração de status social e de tipo comportamento que cada vez estabelece novas formas de consumo e a busca do bem estar individual.Com a normalização deste pensamento sobre a forma de se locomover pela cidade e com o senso comum sobre o que o automóvel representa na sociedade atual o carro ganha proporções representativas que simbolizam luxo, riqueza e ostentação em eventos tradicionais.

 

Nas cerimônias de casamento a noiva sempre chega em um belo carro que a protege e que também representa um elemento decorativo do momento do enlace matrimonial. A grande estrela da noite, deve possuir um meio de transporte a sua altura e que represente toda a luxuosidade e glamour da cerimônia.  Este ato se apresenta como uma coisa tão normal que as vezes não é nem reparada por nós. Mas que tal mudar um pouco essa história e tentar, mesmo em uma cerimônia tradicional, mostrar que a cidade pode ser das bicicletas e das pessoas? Eis o motivo do meu casamento utilizar a bicicleta como meio de transporte.

 

Este primeiro texto traz um pouco do lado pessoal do autor e representa muito bem os próximos textos que virão por ai. Ele será focado na mudança de pensamento da sociedade em meio as tantas necessidades e imposições desnecessárias para o cumprimento do que é aceitável pela maioria. É urgente chamar a atenção sobre essa relação doentia e, quem sabe patológica, que sociedade brasileira tem com o automóvel. Deve ser considerado espantoso constatar que mais da metade dos brasileiros da classe média investem mais no seu automóvel do que na casa própria, isto mostra que nós estamos mais interessados em mostrar o que temos do que apresentar quem realmente somos.

 

Voltando ao casamento, nada melhor do que cerimônias tradicionais para que as pessoas apresentem os seus objetos de valor e o seu poderio financeiro, e foi justamente em uma cerimônia religiosa tradicional que o casal fez questão de ir por um caminho diferente do habitual. Convocou-se os padrinhos, madrinhas e convidados para chegarem a igreja de bicicleta realizando um cortejo pela cidade, onde a bicicleta deveria ser a prioridade na via e os automóveis pediriam licença para passar sempre com a alegria de chamar aqueles que estavam na sua bolha automotiva a participar de um momento festivo e de celebração.

 

Umas pessoas encaravam com estranheza, outras como uma forma humorada, mas o real propósito era mostrar que temos outras formas mais interessantes que visa a proximidade e interação com as pessoas para se chegar a um casamento, pois o principal motivo para os noivos era fazer um momento especial ser vivido por todos os amigos, familiares e convidados. Esse objetivo foi alcançado, e a bicicleta foi a grande responsável por deixar de lado as formalidades convencionais da cerimônia e fazer com o que momento fosse vivido e compartilhado por todos e eternizado de uma forma humorada, divertida e feliz.

 

Waldson Costa - Licenciado em Geografia e curioso por natureza, Waldson Costa é educador, cicloativista e membro da Organização Ciclo Urbano. Ele atua na área de educação ambiental e mobilidade urbana por bicicleta a 6 anos. 

 




28-03-2017
 

 

 

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