Na Política

Biblia Online

19/04/17 | 10:31h

O Brasil já é o quinto país em população do mundo, a sua taxa de crescimento é elevada quando comparada com os países mais populosos do mundo. Isso mostra o grande processo de crescimento demográfico que possuímos, pois é no município que esse grande contingente se relaciona e vive a sua vida.
 
Com a grande maioria da população brasileira morando nas cidades, o índice de urbanização do Brasil é maior do que os índices dos Estados Unidos, Rússia e Japão . Esta situação exige uma grande ação do estado brasileiro para cumprir uma ordenada e sustentável urbanização e planejamento das cidades.
 
A realidade das gestões e o uso dos recursos públicos em obras no meio urbano historicamente se apresenta como um caminho de uso político individual e de personificação de mandatos eleitorais sem contar como um dos caminhos de grandes facilidades para o financiamento político eleitoral e troca de recursos sujos com empreiteiras. 
 
Voltando aos municípios brasileiros, hoje temos 5.570 municípios no nosso país com milhares destes configurados de pequeno porte e que possui a sua população pequena e economia baseada em repasses de fundos federais e economia basicamente rural. Por outro lado, temos as duas dezenas de grandes aglomerações urbanas com mais de um milhão de habitantes que se mostram maiores que alguns países europeus.
 
Essas diferenças de população, densidade, clima, relevo, cultura e história causam um processo desigual na gestão e nas formas de planejamento urbano e a sua eficiência vai além do bom uso dos recursos financeiros e estratégias modernas e transparentes de gestão pública. Deve-se pensar em uma nova forma de conceituar o município e quais as suas reais competências administrativas, legislativas e judiciárias. 
 
A Constituição Federal de 1988 estabelece atribuições aos municípios, mas não o diferenciou de acordo com as diversas características populacionais, de localização geográfica e dos seus níveis de desenvolvimento econômico e social. Isto traz uma uniformização que não consegue atender a todos de forma justa e abrangente.
 
As regiões metropolitanas se mostram como um bom caminho, mas algo complexo, elas não se constituem a nível de governo com uma estrutura política definida. Segundo Fernando Luiz Abrúcio (2001), boa parte dos problemas metropolitanos se deve a inexistência de algum patamar de organização de governo que viabilize, de forma planejada, a produção e distribuição de bens e serviços públicos no âmbito de todo o território “metropolizado”. 
 
Os defensores de instrumentos para uma efetivação da metropolização são poucos no âmbito político, e para estabelecer caminhos viáveis no legislativo que o normatizem essa questão é considerado algo difícil e muito trabalhoso. Esta escassez pode ser justificada pela necessidade de uma nova distribuição de territórios políticos e que poderiam dar novas configurações de territórios de poder e redução da influência direta de um determinado político no seu “reduto” eleitoral. Esta situação política, acaba dificultando uma estrutura organizacional específica para interesses plurimunicipais e metropolitanos.
 
Em Sergipe temos uma região metropolitana por meio da Lei Ordinária Nº 5.355, de 4 de junho de 2004 que poderia ser mais eficiente se existisse um arcabouço institucional mais estruturado, uma efetividade na sua governança e ações planejadas dos seus conselhos.
 
É necessário ir além da visão municipalista para o enfretamento dos problemas urbanos, tendo em vista que alguns problemas como a degradação dos níveis de qualidade de vida, a periferização das moradias e a falta de qualidade no atendimento à saúde transcende os limites territoriais dos municípios.
 
Ressalta-se que qualquer experimento de planejamento e de gestão metropolitana deve fundamentar-se na perspectiva da equidade de recursos e priorização de ações e medidas nas áreas de maiores conflitos ambientais, sociais e de segurança pública. E não somente pensar em resolver problemas específicos que atendam o transporte urbano e a disposição final do lixo por meio dos consórcios, como é o caso da Região Metropolitana de Aracaju.
 
A metropolização é em caminho viável, complexo e instigante para a resolução de problemas municipais, pois ela uni forças e poder institucional para estabelecer alianças e resoluções de conflitos que somente um município não é capaz de resolver.
 
Um passo inicial deve ser dado na Região Metropolitana de Aracaju com uma discussão mais profunda sobre quais os municípios devem fazer parte deste aglomerado. De 2004 para cá, houve mudanças significativas no âmbito da moradia e dos movimentos pendulares de trabalho e emprego o que gera uma necessidade de alinhamento prático com essa atual realidade. 
 
Outra necessidade urgente é considerar essa tendência de metropolização no Planos Diretores Municipais para que os municípios, de forma integrada e soberana, possam buscar arranjos institucionais comuns para a melhoria da qualidade de vida da sua população. 
 

10/03/17 | 11:36h


O surgimento dos aglomerados habitacionais contribuiu para um crescimento econômico e social. As cidades entre os anos de 1800 e 1850 iniciam um processo de urbanização e se alavanca exponencialmente no mundo. Atualmente, mais da metade da população mundial está nas cidades e os impactos desse significativo percentual tem contribuído para grandes desafios socioambientais, tecnológicos e de inteligência sobre como devemos viver e (com)viver e o quanto dependemos do meio rural para que essa máquina urbana possa funcionar.

Mesmo com a diversidade dos problemas que qualquer morador da cidade enfrenta todos os dias é escasso o número de pessoas que buscam ou demonstram interesse para entender ou compreender o por que não conseguimos avanços significativos na forma de se relacionar com a cidade e como podemos contribuir para melhoria de temas coletivos como segurança pública, mobilidade, moradia, especulação imobiliária e tantos outros.

O acesso a livros, documentários, histórias ou qualquer outro tipo de produção se restringe aos profissionais de algumas áreas ou ao ambiente acadêmico que tem a cidade como sua área de atuação. Essa falta de interesse de outros cidadãos e a discussão somente em pequenos grupos ou em representações setorizadas repercute na formação de um discurso conhecido como o “de mim, para mim mesmo”. São inúmeros os momentos em que encontramos as mesmas pessoas e as mesmas falas em locais confinados no qual saímos com o nosso ego inflado e tendo a certeza que estamos evoluindo.

Esse viver dentro de um grupo para o próprio grupo deixa a técnica apurada, a tecnologia aceita, mas as soluções nem sempre resolutivas. A cidade é um mar de contradições, a sua uniformização com o uso da técnica e por meio da tecnologia não consegue alcançar a integralidade da parte mais viva da cidade, às pessoas. Somos movidos a emoções, a ideologias, a sentimentos, a cultura e isso faz com que continuamente possamos mudar de opinião, construir e descontruir ideias e fazer a cidade crescer de forma mais justa ou não.

Como forma de tornar a discussão mais democrática, o acesso a informações sobre a natureza das questões urbanas, do seu surgimento, as suas causas, os desafios e suas infinitas possibilidades acabam se tornando superficiais e corriqueiras. O resultado disso é a disseminação do famoso jargão “o problema das cidades é a falta de planejamento”. Este é apenas um dos problemas, e esse discurso é apresentado diariamente nos telejornais, nas rádios matinais e nas falas dos políticos. Esquecemos que o maior dos problemas somos nós, cidadãos.

Para apresentar resultados rápidos a esse desafio, os gestores públicos buscam a tecnologia e a inteligência dos sistemas de organização populacional e de tráfego para respaldar as suas falas esperançosas e cheias de eufemismo e empolgação. Mas na prática a adoção exclusiva da tecnologia e da inteligência destes sistemas ocasiona na representação de um cidadão visto como números, estatísticas, mortes e vidas, saídas e chegadas. Ele deixa de ser encarado com um ser social, com necessidades e obrigações.

Os sistemas inteligentes e a tecnologia pode ser usada como um instrumento dentre vários outros para a resolução dos problemas urbanos. Se não inserirmos os critérios sociais, ambientais, culturais, econômicos e a suas constantes transformações, teremos uma série de repetições de ideias inovadoras com prazo de validade máximo de 4 ou 8 anos. A inteligência e a tecnologia inovadora, passa a ser burrice e perpetuação dos problemas urbanos cada vez mais evidente.

O cidadão deve encarar o desafio e ir além dos discursos e do senso comum exaustivo dos meios de comunicação, ele deve buscar entender de forma ampla e democrática a raiz dos seus problemas e participar ativamente da vida da cidade, deixando de ser apenas um transeunte e virando um cidadão pleno.

Acredito que esse seja um bom caminho para não se deixar tutelar e se infantilizar tão facilmente por políticos profissionais e técnicos a serviço do aparelho do Estado. Sei que não é fácil e simples, mas se assim fosse, não estaria escrevendo esse texto. E aí? Vamos lançar juntas as nossas mãos, mentes, técnicas e inteligência nas ruas??

*José Waldson Costa de Andrade, geógrafo e Mestrando em Desenvolvimento e Meio Ambiente. Associado da ONG Ciclo Urbano e Diretor de Meio Ambiente da Sociedade Semear. E escreve sobre a vida urbana para o portal Na Política.

 

01/03/17 | 10:24h

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O carnaval, as pessoas e as ruas. (Foto: Divulgação)

(Foto: Divulgação)

A preparação começa bem antes do mês de fevereiro, quando se aproxima, as metas e as responsabilidades sempre ganham uma nova desculpa, “deixa para depois do carnaval”. Alguns viajam para as grandes festas carnavalescas do país e mandam uma enxurrada de fotos e vídeos pelas redes sociais. Outros aproveitam para sair da cidade e ir em busca do sossego da praia ou do campo. A cidade fica vazia e nas ruas não ecoam tão forte o barulho dos motores e das buzinas. A cidade aproveita para tirar sua folga.

 

A rua é espaço do acontecimento, do real, das contradições e também do imaginário humano, nela se concretiza os desejos e os pesadelos de muitos e o principal agente desse espaço são as pessoas. São elas que influem no ambiente e transformam o espaço dando vida aos acontecimentos e transformando a paisagem urbana. É essa transformação da paisagem que o carnaval, as pessoas e as ruas faz repercutir em muitos a vontade de festejar e os problemas pessoais e financeiros abrem alas para as fantasias e diversão.

 

A rua que antes era apenas o local de passagem, no carnaval, é o lugar da troca de olhares, do calor humano do primeiro beijo e do mais novo amor. As esquinas viram banheiros, as calçadas viram lanchonetes e as pessoas vivem felizes e em harmonia. Porque no carnaval tudo é paz e diversão!

 

Em Aracaju, com o término da prévia carnavalesca que ocupava a avenida de grande fluxo na região nobre da cidade com os seus trios elétricos e uma multidão que seguia as grandes atrações nacionais, surgiram os blocos ou carinhosamente chamados de “bloquinhos” de rua. Organizados por bares e restaurantes eles vão para os bairros e se espalham de forma democrática e livre. Uma nova roupagem aparece e as ruas com características domiciliares recebe o “mar” de gente com o único desejo de festejar. É lindo ver aquele monte de gente cantando a mesma música e na mesma sintonia.

 

Um fato é que o carnaval mostra como a rua pode ser de todos, para todos e que a liberdade de um não confronta com a do outro. Uma pena que seja apenas por poucos dias e na quarta-feira de cinzas o barulho dos motores e as buzinas apressadas voltam ferozmente para a cidade e a normalidade caótica se apresenta como um sopro de desespero para aqueles que desejam que a rua seja apenas o espaço das pessoas e dos bons encontros.

 

Ahhhh se todo dia fosse carnaval!!!

 

*José Waldson Costa de Andrade, geógrafo e Mestrando em Desenvolvimento e Meio Ambiente. Associado da ONG Ciclo Urbano e Diretor de Meio Ambiente da Sociedade Semear. E escreve sobre a vida urbana para o portal Na Política.

13/02/15 | 14:40h

Li esse texto do juiz Gerivaldo Neiva, e achei ele simplesmente sensacional gostaria de compartilha-lo na integra com vocês, amigos leitores...

 

Tinha tudo para ser uma tarde igual a tantas outras: audiências, despachos, sentenças, atender as partes, ou seja, a rotina do Juiz das 13 às 19 h, no Fórum Durval da Silva Pinto, em Conceição do Coité – Ba.

 

Ledo engano!

 

Ainda passava pelo corredor quando um servidor da Vara Criminal e também me apresentou um garoto de 12 anos, com aparência de 10, moreno, moreno mesmo, não negro, cabelos pretos e meio encaracolados, sorriso tímido e contido, dentes bonitos, falando baixinho como se fosse mais para si mesmo do que para os outros.

 

- Doutor, disse-me o servidor, este garoto quer lhe conhecer.

- Venham ao meu gabinete, respondi de passagem.

 

Segui na frente pelo corredor pouco iluminado e me cansava antecipadamente ao pensar na rotina de trabalho que teria aquela tarde, mas a presença daquele garoto começa a me inquietar. Entraram em meu gabinete e ele se sentou em uma cadeira distante de mim, olhando perdido para o chão, enquanto o servidor dizia:

 

- Doutor, estou com um probleminha. Este garoto apareceu com uma bicicleta em casa, mas não tinha dinheiro para comprar uma bicicleta. E o pior: passou uma semana fora de casa em outro povoado e agora o pai está aí fora, furioso, querendo que a gente descubra como ele conseguiu a bicicleta, mas ele não quer falar...

 

Gostei dele à primeira vista. Não sei a razão ainda. Talvez seu olhar. Sua timidez também me fazia lembrar da minha própria infância.

- Este é o Juiz. Se você não descobrir tudo e não se comportar, ele vai te mandar para Salvador. Pode ir falando...

 

Ele levantou um pouco a cabeça e me olhou com um olhar meio de medo e admiração. Eu, então, olhei para ele e tentei conversar:

- E aí? Tudo bem? Como é seu nome? Você queria conhecer o Juiz? Andou fazendo alguma traquinagem?

 

Ele me olhou agora mais admirado do que com medo, respondeu que estava tudo bem, que se chamava Paulinho e baixou os olhos novamente. Percebi um movimento em seus lábios como se estivesse contendo um choro...

 

Esta tarde não era mais rotineira. Percebi que estava diante de uma criança especial e seu olhar me deixava confuso. O que ele espera de mim? Que será que ele está pensando? Seu olhar também me fazia pensar: quem sou eu para ele? O que posso fazer por ele?

 

Pedi que o comissário saísse e ficamos alguns instantes em silêncio sem nos olharmos... Não sei por que me lembrei de uma música: "existirmos: a que será que se destina?"

- Paulinho, sente mais aqui perto de mim.

 

Ele veio meio tímido ainda, mas não tinha mais a carinha de choro. Dá para ver um pouco de segurança e confiança em seu olhar.

- Quantos anos você tem?

- 12.

- Onde você mora?

- No Sossego.

- Que série você está estudando?

- A segunda.

- Como a segunda, se você já tem 12 anos? Perdeu algum ano?

- Não. Nunca perdi ano, mas não sei por que estou na segunda.

- Tá bom...

 

Ficamos mais um pouco em silencio e lembrei mais uma vez da minha infância. Como me comportaria diante de um Juiz? Era tão tímido que talvez fizesse xixi nas calças... A música não saía de minha cabeça: "pois quando tu me deste a rosa pequenina."

- Cadê seus pais?

- Tão aí fora.

- Bateram em você?

- Ainda não.

 

Ora, "ainda não" significa que poderá acontecer, pensei. Então, Paulinho está aqui, diante do Juiz, esperando uma condenação certa: ser mandado para Salvador ou apanhar do pai!

 

Um breve filme passou em minha cabeça: uma criança sendo levada aos empurrões e ouvindo gritos do pai. Um cinto sendo puxado, um olhar aflito, uma mão para o alto e um grito de dor... E a música insistente: "Vi que és um homem lindo e que se acaso a sina."

 

Balancei rapidamente a cabeça para espantar os pensamentos e continuamos a conversa:

- Então, você tem uma bicicleta?

- Sim.

- Como você conseguiu?

 

Ele não ia falar. Não confiava no Juiz. Certamente, tinha medo de ser preso e de apanhar. Também, aquilo estava parecendo um interrogatório e uma confissão, mas precisava ser uma conversa.

 

Paulinho tinha apenas 12 anos e estava diante do Juiz enquanto seus pais lhe esperavam lá fora. Seria preso ou levaria uma surra dos pais, pensava. Era um menino, não era um homem. Essa música está me tirando a concentração: "Do menino infeliz não se nos ilumina."

- Paulinho, vamos fazer um acordo?

- Sim.

- Você quer ser meu amigo?

 

Ele levantou a cabeça e me olhou incrédulo, como se perguntasse: o que ele quer agora? Baixou novamente a cabeça, pensou alguns segundos e me olhou novamente com olhar carente:

- Quero.

 

Tive vontade de lhe abraçar para selar nossa amizade, mas a dureza da função não deixou. Meus braços não me obedeceram, apesar da vontade. Seus olhos, porém, não tinham mais medo e nem lágrimas... "Tampouco turva-se a lágrima nordestina."

- Então, já que somos amigos, vamos prometer falar só a verdade, certo?

- Tá bom.

- Da minha parte, prometo, como amigo, que nossa conversa vai ficar entre nós e não contarei a ninguém o que nós conversamos.

- Nem a meu pai?

- Nem a seu pai e nem a ninguém.

 

Sim, mas eu podia cumprir este acordo? E se ele tivesse, de fato, cometido alguma infração para ter a bicicleta? Como é que eu iria me sair dessa? E o pior: nós éramos amigos agora e eu não podia mentir. Estava numa enrascada... "Apenas a matéria vida era tão fina."

- Minha mãe sabe, mas meu pai, não! Se ele souber, me bate. Minha mãe não bate.

 

Mãe é tudo igual mesmo. Vive para a cria. Protege até do pai. É sempre cúmplice dos filhos.

 

Ficamos novamente em silêncio e eu não conseguia lhe perguntar mais nada. Estava envolvido em minhas lembranças, pensava em meus filhos e em meu pai... Não era mais autoridade, não era mais Juiz de Direito e meus quase 20 anos de magistratura não significavam mais nada. "E éramos olharmo-nos intacta retina." Ele entendeu que meus olhos esperavam sua resposta.

 

- Eu sempre quis ter uma bicicleta, mas meu pai não podia comprar. Os meninos todos tinham uma bicicleta, mas eu não. Eu sonhava rodando de bicicleta. Então, ia passado na frente da casa de um homem, vi que a porta estava aberta e resolvi entrar. Procurei no guarda-roupa e achei um dinheiro. Saí correndo e comprei uma bicicleta na mão de um rapaz que tem uma oficina de consertar bicicleta. Rodei, rodei e fui parar em um lugar que mora minhas tias. Andava de bicicleta o dia todo, dormia e comia na casa delas até que resolvi voltar e meu pai me trouxe para o Juiz. Antes, contei a minha mãe onde peguei o dinheiro, mas o rapaz não morava mais na casa. Então, não deu para devolver o dinheiro e eu queria ficar com minha bicicleta. O Senhor deixa?

 

Não sei por que a vida tem me deixado, ultimamente, nesta situação: entre a cruz e a espada. Aquele "o senhor deixa?" me deixou completamente atordoado. Como deixar, se a bicicleta foi comprada com dinheiro que não era dele? Como não deixar, se a bicicleta era seu sonho e não havia a quem devolver o dinheiro?

- Paulinho, vamos fazer um novo acordo?

- Vamos.

- Seguinte: você vai ter sua bicicleta, mas precisa prometer algumas coisas, certo?

- Certo.

- Primeiro, a gente precisa procurar o dono da casa que você pegou o dinheiro, depois precisa devolver o dinheiro dele e devolver a bicicleta ao rapaz da oficina...

- E minha bicicleta? Vou ficar sem ela?

- Calma. Vamos pensar em uma saída... Olhe, vamos fazer assim: você deixa a bicicleta comigo e volta prá casa com seus pais e vamos dizer a eles que nós acertamos entre nós dois o que fazer com a bicicleta. Aí, você vai prometer que vai estudar, passar de ano, respeitar seus pais e sua professora, não dormir mais fora de casa e não fazer mais este tipo de traquinagem, certo?

- Certo. Mas e minha bicicleta?

- Primeiro, você tem que prometer o que estou lhe pedindo. Promete?

- Prometo, mas também quero minha bicicleta.

- Bom, essa bicicleta vai ficar aqui, mas se você passar de ano e se comportar direitinho eu consigo outra bicicleta prá você, certo?

- Tá bom. Vou voltar com meu boletim passado de ano e vou ganhar uma bicicleta?

- Isso mesmo. Combinado? Bate aqui!

 

Saímos do gabinete, apresentei meu novo amigo à Promotora de Justiça, que inicialmente deu conselhos severos a meu amigo, mas depois também foi vítima de seu olhar pedinte e lhe dirigiu palavras de carinho e afeto. Acordo Fechado. Sem nada escrito. Palavras, apenas.

 

Encontrei seu pai esperando no cartório e lhe disse que tinha resolvido tudo com Paulinho: ele tinha me emprestado a bicicleta e seria devolvida se ele passasse de ano e se comportasse direito. O pai me olhou incrédulo pediu para que eu repetisse. Expliquei mais vez o ocorrido e me despedi de Paulinho com um cafuné na cabeça e uma piscada de olho de cumplicidade com sua mãe.

 

Bom, estamos em setembro e estou ansioso que o ano acabe.

 

Voltei ao meu gabinete, para a dura realidade da vida de um Juiz. Além disso, mandar procurar a casa que Paulinho me deixou o endereço, mandar intimar o dono da oficina de bicicleta... Mas a música continuava em minha cabeça:

 

"Existirmos: a que será que se destina? Pois quando tu me deste a rosa pequenina Vi que és um homem lindo e que se acaso a sina Do menino infeliz não se nos ilumina Tampouco turva-se a lágrima nordestina Apenas a matéria vida era tão fina E éramos olharmo-nos intacta retina A cajuína cristalina em Teresina." [2]

 

[1] Este texto foi escrito em setembro de 2008. A história é real e o nome Paulinho é fictício. A bicicleta foi devolvida e com ajuda de amigos compramos uma bicicleta nova para Paulinho, que conseguiu ser aprovado com a ajuda uma psicopedagoga da cidade. Há tempos que não o vejo, mas sei que se tornou um belo rapaz e nunca mais cometeu atos infracionais.

[2] Cajuína. Letra de Caetano Veloso em lembrança do poeta Torquato Neto.

 

* Gerivaldo Neiva é Juiz de Direito (Ba), membro da coordenação estadual da Associação Juízes para a Democracia (AJD). membro da Comissão de Direitos Humanos da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) e Porta-Voz no Brasil do movimento Law Enforcment Against Prohibition (Agentes da lei contra a proibição - Leap Br).

 

 

*Waldson Costa - Licenciado em Geografia e curioso por natureza, Waldson Costa é educador, cicloativista e membro da Organização Ciclo Urbano. Ele atua na área de educação ambiental e mobilidade urbana por bicicleta a 6 anos. E é colunista NaPolítica sobre Vida Urbana.

10/12/14 | 18:08h

Em continuidade sobre a implantação de Frota de Bicicletas em empresas nesta segunda parte do texto será abordado sobre operação da frota e definição sobre uso e manutenção do serviço. Para que a operação da frota ocorra de forma constante e crescente é importante que os colaboradores sejam incentivados e capacitados para se locomover na cidade de bicicleta, por isso é necessário treinamento constante sobre os deveres e direitos dos ciclistas estabelecidos no Código de Trânsito Brasileiro e incentivar aqueles que tem medo de encarar a cidade e o trânsito de Aracaju a ocuparem as ruas de bicicleta.

 

Na nossa cidade existe vários grupos que incentivam e fazem passeios semanais para os diversos tipos de pedaladas (passeio, cicloturismo, competição) além da Escola Bike Anjo que mensalmente realiza atividades de formação de novos ciclistas e ensinam, aos que já sabem, a pedalar a perder o medo do trânsito. Mas para o contexto empresarial é necessário que estes grupos ou escolas realizem atividades constantes e com cronograma definido afim de estabelecer uma rotina de capacitação e geração de novas demandas para o serviço.

 

Contra o velho discurso que andar de bicicleta é perigoso estudos em diversos países da América do Sul mostram que quanto mais bicicletas nas ruas, mais seguro se torna a sua locomoção. A Associação Médica Britânica ressalta que os benefícios superam os riscos envolvidos numa relação de 20 para 1, isto quer dizer que a partir do momento em que esta prática se torne uma constante em várias empresas o risco de acidentes envolvendo colaboradores por acidentes relacionados a locomoção casa/trabalho – trabalho/casa deve reduzir de 20 para 1 acidente. Na nossa realidade esse número pode ser bem maior, pois a quantidade de acidentes de trânsito comparando o Brasil com a Inglaterra é bem maior.

 

Para que haja uma melhor quantificação e análise de riscos o livro Frota de Bicicletas lançado no Brasil em 2014 com a realização da ONG Transporte Ativo e patrocinado pelo Banco Itaú apresenta uma planilha muito importante para ser elaborada com todos os colaboradores e os altos cargos das empresas.

 

Exibindo tabela 1.png

Fonte: Frota de Bicicletas pág 46. Transporte Ativo. Rio de Janeiro.2014.

 

Feita a identificação e classificação de nível esta publicação sugere que seja elaborado uma matriz de riscos na qual apresento abaixo.

 

Exibindo tabela 2.png

Fonte: Frota de Bicicletas pág 47. Transporte Ativo. Rio de Janeiro.2014.

É importante realizar o cruzamento dos níveis 1 a 4 da matriz de risco com a Tabela dos Riscos apresentado anteriormente. O objetivo da elaboração desta tabela e da matriz é estabelecer medidas específicas para reduzir e eliminar os riscos identificados.

 

Outro investimento importante é realizar o seguro das bicicletas e dos usuários. É adequado realizar um seguro específico para roubo ou furto e de lesão ou de acidentes pessoais. As bicicletas compartilhadas existentes em Aracaju – Caju Bike – possui esse seguro e o custo é pago pelo usuário conforme as regras estabelecidas na locação da bicicleta. Cabe reforçar que é importante a discussão com os colaboradores sobre o uso da bicicleta fora do horário de trabalho e em atividades pessoais.

 

Tendo a definido sobre as questões de seguro contra roubo e acidentes, a promoção e divulgação deste serviço na sua empresa é fundamental para o seu sucesso. Algumas empresas oferecem recompensas salariais ou atividades recreativas para o colaborador e a sua família que usam o serviço constantemente, outras empresas organizam grupos de pedaladas com propósito de conhecer melhor a cidade ou cursos de aprimoramento sobre mecânica da bicicleta. Além destas, cabe ao grupo envolvido sugerir outras formas para o gestor sobre as recompensas que devem ser oferecidas.

 

Sabe-se que não é um bicho de sete cabeças montar uma frota de bicicletas na sua empresa, primeiro de tudo é necessário uma mudança de concepção interna em todos os níveis hierárquicos da empresa para que esta ação possa dar certo e muita força de vontade estabelecer este serviço como mais uma opção de transporte.

 

O investimento financeiro é revertido a curto e médio prazo sem contar com os benefícios de melhor rendimento do trabalho ocasionado pela atividade física e presença do colaborador e da sua família na sua empresa. Então empresários e empresárias, quer mostrar que sua empresa se preocupa com a nossa cidade e com os seus colaboradores? Que tal pensar nas bicicletas?

 

*Waldson Costa - Licenciado em Geografia e curioso por natureza, Waldson Costa é educador, cicloativista e membro da Organização Ciclo Urbano. Ele atua na área de educação ambiental e mobilidade urbana por bicicleta a 6 anos. E é colunista NaPolítica sobre Vida Urbana.

 

03/12/14 | 10:49h

Não é mais novidade que as bicicletas já são uma constante nas cidades e cada vez mais pessoas começam a ir para o trabalho de bicicleta por não aguentam mais o caos do transito e perder tempo nos engarrafamentos. Esta nova realidade que veio para ficar se tornou um “problema” positivo para empresários, instituições públicas e organizações que se preocupam com os seus colaboradores e buscam oferecer mais qualidade e bem estar dentro e fora do ambiente de trabalho.

 

O que pode ser mais animador é que para implantar uma frota de bicicletas na sua empresa não é um investimento alto, mas necessitará de um planejamento e uma política de gestão estratégica eficaz de médio a longo prazo. Antes de convencer seu chefe, ou se você for o patrão, é necessário o esclarecimento de dois pontos importantes para que possa entender melhor sobre esse assunto.

 

O primeiro ponto é O que é Frota de Bicicletas? Frota de bicicletas é simplesmente um conjunto de bicicletas que podem ser adquiridas ou mantidas pela sua organização para o uso de um determinado público. Elas podem ser adquiridas pela empresa ou disponibilizadas por meio de comodato, onde tanto a organização como o colaborador têm responsabilidades de conservação e uso da bicicleta no seu dia-a-dia. Caso os seus colaboradores já possuam as suas bicicletas um plano de manutenção mensal ou de descontos com algum lojista da região pode ser uma boa alternativa para manter as bicicletas em perfeita condição de uso.

 

O segundo ponto é Por que criar uma Frota? Para esse ponto apresento três bons motivos:

1- Bicicletas são consideradas os mais eficientes e eficazes meios de transporte urbano. Estudos como o Desafio Intermodal Aracaju realizado nos últimos cinco anos mostra que a bicicleta é o meio de transporte mais eficiente e eficaz em horários de pico do trânsito de Aracaju*
2- Os colaboradores ficarão motivados e espalhará esse entusiasmo para os colegas de trabalho. Isso pode ser comprovado em empresas que já adotaram esse serviço e o cuidado com a frota e com os espaços destinados para esse serviço (bicicletário, vestiário e armários) são notórios.
3- “Sem querer” a sua empresa passará uma mensagem a sociedade e aos seus clientes sobre a iniciativa, com a promoção da saúde dos seus colaboradores e a responsabilidade social e ambiental através do compromisso com a cidade e com um trânsito melhor para todos, além de estimular meios de locomoção sustentáveis.

 

Depois de apresentar esses pontos é necessário que o colaborador ou o empresário faça três perguntas básicas.
1- Por que minha organização precisa disso?
2- Quem vai usar as bicicletas?
3- Para que as bicicletas serão usadas?

 

Respondidas essas perguntas e analisando um cenário positivo e animador é hora de debater com todos a viabilidade de execução deste serviço. Sabe-se que várias justificativas serão colocadas como barreiras para a não implantação deste serviço, mas para que exista sucesso é necessário que desde a equipe de apoio até a alta administração estejam conscientes em vencer as resistências.

 

Algumas resistências pessoais são comuns, a exemplo de: ausência de segurança, falta de interesse em buscar novas formas de deslocamento, falta de preparo físico, ausência de infraestrutura cicloviária em todo o percurso e calor constante e sol muito forte aliado a falta de arborização. Além das resistências pessoais é necessário listar algumas resistências institucionais: Falta de recursos e falta de vontade em alocar orçamento para o projeto, ausência de estudos que justifiquem a demanda ou uso atual de bicicletas pelos colaboradores, falta de espaço para construção de bicicletários, vestiários ou estrutura mínima de segurança e estacionamento das bicicletas e preocupações com cobertura de seguro ou responsabilidades legais por danos e acidentes.

 

Este primeiro texto tem o objetivo de instigar o leitor e apresentar as principais dificuldades em executar este projeto, no segundo apresentarei caminhos de como vencer esses desafios e fazer com que a sua empresa possa oferecer uma nova forma de locomoção aos seus colaboradores e estabelecer uma imagem positiva aos atuais e futuros clientes que buscam responsabilidade social e ambiental naquilo que consomem.

* Para saber mais sobre o Desafio Intermodal acesse: www.ciclourbano.org.br

 

Referência Bibliográfica:

ATIVO. Transporte. De Bicicleta para o Trabalho. Rio de Janeiro. 2013. www.ta.org.br.
ATIVO. Transporte. Bicicleta na Empresa. Rio de Janeiro. 2013. www.ta.org.br.
URBANO. Ciclo. Desafio Intermodal Aracaju. Aracaju-SE 2013. www.ciclourbano.org.br.
Council. Cardiff. A Guide to setting up a bike poll. Londres. 2010.

 

Waldson Costa - Licenciado em Geografia e curioso por natureza, Waldson Costa é educador, cicloativista e membro da Organização Ciclo Urbano. Ele atua na área de educação ambiental e mobilidade urbana por bicicleta a 6 anos. E é colunista NaPolítica sobre Vida Urbana.

11/08/14 | 12:23h

Discutir sobre participação social em políticas e programas de Educação Ambiental é bastante complexo e abrangente devido as diversas formas e interpretações que pode ser dada a esse aspecto. Para que este foco seja melhor analisado é necessário discutir sobre alguns conceitos de política, igualdade e diversidade que estão no eixo do que pode ser considerado Educação Ambiental.

 

Sobre a relevância política da Educação Ambiental pode-se analisar através de dois eixos. O conceitual e o da prática social que devem ser refletidos dentro de uma determinada realidade comunitária no quais os focos políticos e da Educação Ambiental se materializam.

 

Sobre o contexto do Estado de Sergipe, durante os últimos anos houve um aumento expressivo nas ações do Estado e do Município de Aracaju através das suas respectivas secretarias em atividades que priorizem a efetivação da Educação Ambiental. Estas ações são referenciadas e seguidas de acordo com a Política Nacional de Educação Ambiental - PNEA ou de Programas - PRONEA oriundos dos Ministérios do Meio Ambiente ou Ministério da Educação.

 

Com o fundamento de formar indivíduos, organizar comunidades para o planejamento das ações e conhecer melhor a sua realidade socioambiental para criação de uma identidade social mais estruturada, a Educação Ambiental são propostas dentro de fundamentos políticos que tem o objetivo de fazer com que o indivíduo ou a comunidade seja um instrumento de decisão coletiva e de participação das tomadas de decisão.

 

O ser humano, por definição, é um ser comunitário, ser biológico social, que realiza e cria sua individualidade por meio das suas realidades sociais, intersubjetivas, ou seja, em um dado contexto cultural. (Morin, 1999). Netto e Braz (2007:46,47) afirmam que: A subjetividade de cada homem não se elabora a partir do nada, nem num quadro de isolamento: elabora-se a partir das objetivações existentes e no conjunto de interações em que o ser singular se insere. A riqueza subjetiva de cada homem resulta da riqueza das objetivações de que ele pode se apropriar.

 

A partir desta análise, pode-se considerar que homem é um ser político e que deve ter liberdade para que a interação com o ambiente vivido possa acontecer. Esta liberdade exige normas de conduta e convivência instituída e institucionalizada em uma determinada cultura, onde na atual sociedade é realizada pelo Estado.

 

Para se falar de Estado é necessário exemplificar três tipos de entendimento sobre Estado, Segundo Loureiro 2009. O Primeiro, de ordem liberal, enfatiza o Estado como “um mal necessário” que serve para regular e conter os excessos cometidos pela livre escolha propiciada pelo livre mercado, sendo considerada uma concepção negativa do papel do Estado em virtude de que as interações são realizadas pela economia e a não pelo individuo.

 

A segunda, de cunho anarquista, não pensa as instituições como um “mal necessário”, mas como o fundador das hierarquizações de poder e dominação onde o Estado é visto como opressor e todos os procedimentos de normatização vistos como castrador. Para este entendimento, todas as normas, leis e procedimentos devem ser superados por uma organização da vida social voltada para a auto-gestão.

 

E o terceiro, de matriz socialista, entende que o Estado é a instância que reúne e condensa a dinâmicas das forças sociais, economicamente situadas, legitimando, normatizando e institucionalizando as formas dominantes de se produzir e viver. Dentro desta visão o Estado não deve ser destruído, mas o Estado tal como se configurou em uma determinada sociedade desigual, que reproduz a lógica da exclusão, da diferença de oportunidades, da privação de recursos e tecnologias e da negação do uso racional dos recursos naturais.

 

Dentro deste raciocínio, o Estado não está posto em sua totalidade, fora das relações sociais e nem como um meio repressor do livre arbítrio, e sim com um produto de formações sociais especificas em contextos históricos determinados, que reproduz as suas contradições, conflitos e tentativas e homogeneização do poder.

 

Trazer esta abordagem de Estado para a Política, Programas e ações de Educação Ambiental é necessário refletir de forma direta sobre o papel do educador e educadora ambiental frente a esse dinâmico e complexo caminho entre a teoria e a prática política no contexto socioambiental. É necessário pensar em um Estado enquanto produto e reprodutor social permitindo entender que a sociedade civil e os movimentos sociais não é um meio de consenso e transparência e sim um espaço de articulação, interlocução, conflitos e interesses diversos que tem o propósito de se materializar em Políticas e Programas de Educação Ambiental. Para que haja a concretização de Programas e Políticas executáveis em diversos contextos sociais é preciso modificar radicalmente o conjunto das relações sociais e exercer o controle social para que os anseios políticos e os objetivos dos programas se tornem realidade.

 

É um dever ou necessidade que as esferas públicas e o educador e educadora ambiental problematize e discuta a realidade ambiental e busque a intervenção social dos diversos atores sociais presentes no local ou região para que ocorra uma transformação coerente nas formas e meios de participação e cidadania sem estabelecer uma divisão entre a Sociedade Civil, Movimentos Sociais e o Estado.

 

Em Sergipe, espaços de Audiências Públicas, criação de Unidades de Conservação, reuniões e encontros para a criação da Política Estadual de Educação Ambiental pode ser considerado o início de uma nova forma de organização, planejamento e execução das políticas públicas pelo estado e uma provocação para a sociedade, os movimentos sociais e as organizações do terceiro setor refletirem sobre qual o seu papel e qual a forma de contribuir na formulação de política e execução da mesma.

 

Esta reflexão deverá ter com como pano de fundo toda história dos movimentos e coletivos que atuaram e atuam no estado para que o momento político não favoreça uns e prejudiquem outros em razão de uma ausência de sentimento coletivo e dos conflitos infundados e meramente simples em razão da grande causa maior que é uma Política Pública e Programas Ambientais que tenham como fundamento ideológico a transformação social e política, a igualdade, e a participação ativa de toda a sociedade.

 

Referências bibliográficas:

MORIN, E. O Paradigma Perdido - a natureza humana. 6ª edição. Lisboa: Publicações Europa América. 1999.
NETTO, J.P BRAZ, M. Economia política: uma introdução crítica. São Paulo: Cortez,2006.
LOUREIRO, C. F. B. O que queremos com Política de Educação Ambiental no Brasil? PEAC. Petrobras.2009.
LOUREIRO, C. F. B. O Trajetória e Fundamentos da Educação Ambiental. Cortez. São Paulo.2009
RIBEIRO. João. Ubaldo. Política: Quem manda, Por que manda, Como manda. Editora Nova Fronteira. 1981.

 

Waldson Costa - Licenciado em Geografia e curioso por natureza, Waldson Costa é educador, cicloativista e membro da Organização Ciclo Urbano. Ele atua na área de educação ambiental e mobilidade urbana por bicicleta a 6 anos. 

 

 

31/07/14 | 00:47h

As cidades estão cada vez mais se tornando um espaço especulativo, de novas economias e a circulação de pessoas e produtos são consideradas a força motriz deste processo. Como alternativa para uma maior velocidade de circulação das pessoas e dos bens e serviços os automóveis motorizados se tornaram prioridade nas políticas de desenvolvimento urbano o que gerou perdas sociais importantes sobre a identidade dos locais e a deficiência na criação de espaços de convivência.

 

Acompanhando esse processo, a indústria do automóvel impõe uma mudança de comportamento sobre a sociedade e estabelece o carro como um meio de demonstração de status social e de tipo comportamento que cada vez estabelece novas formas de consumo e a busca do bem estar individual.Com a normalização deste pensamento sobre a forma de se locomover pela cidade e com o senso comum sobre o que o automóvel representa na sociedade atual o carro ganha proporções representativas que simbolizam luxo, riqueza e ostentação em eventos tradicionais.

 

Nas cerimônias de casamento a noiva sempre chega em um belo carro que a protege e que também representa um elemento decorativo do momento do enlace matrimonial. A grande estrela da noite, deve possuir um meio de transporte a sua altura e que represente toda a luxuosidade e glamour da cerimônia.  Este ato se apresenta como uma coisa tão normal que as vezes não é nem reparada por nós. Mas que tal mudar um pouco essa história e tentar, mesmo em uma cerimônia tradicional, mostrar que a cidade pode ser das bicicletas e das pessoas? Eis o motivo do meu casamento utilizar a bicicleta como meio de transporte.

 

Este primeiro texto traz um pouco do lado pessoal do autor e representa muito bem os próximos textos que virão por ai. Ele será focado na mudança de pensamento da sociedade em meio as tantas necessidades e imposições desnecessárias para o cumprimento do que é aceitável pela maioria. É urgente chamar a atenção sobre essa relação doentia e, quem sabe patológica, que sociedade brasileira tem com o automóvel. Deve ser considerado espantoso constatar que mais da metade dos brasileiros da classe média investem mais no seu automóvel do que na casa própria, isto mostra que nós estamos mais interessados em mostrar o que temos do que apresentar quem realmente somos.

 

Voltando ao casamento, nada melhor do que cerimônias tradicionais para que as pessoas apresentem os seus objetos de valor e o seu poderio financeiro, e foi justamente em uma cerimônia religiosa tradicional que o casal fez questão de ir por um caminho diferente do habitual. Convocou-se os padrinhos, madrinhas e convidados para chegarem a igreja de bicicleta realizando um cortejo pela cidade, onde a bicicleta deveria ser a prioridade na via e os automóveis pediriam licença para passar sempre com a alegria de chamar aqueles que estavam na sua bolha automotiva a participar de um momento festivo e de celebração.

 

Umas pessoas encaravam com estranheza, outras como uma forma humorada, mas o real propósito era mostrar que temos outras formas mais interessantes que visa a proximidade e interação com as pessoas para se chegar a um casamento, pois o principal motivo para os noivos era fazer um momento especial ser vivido por todos os amigos, familiares e convidados. Esse objetivo foi alcançado, e a bicicleta foi a grande responsável por deixar de lado as formalidades convencionais da cerimônia e fazer com o que momento fosse vivido e compartilhado por todos e eternizado de uma forma humorada, divertida e feliz.

 

Waldson Costa - Licenciado em Geografia e curioso por natureza, Waldson Costa é educador, cicloativista e membro da Organização Ciclo Urbano. Ele atua na área de educação ambiental e mobilidade urbana por bicicleta a 6 anos. 

 

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28-06-2017
 

 

 

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