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18/10/12 | 19:40h (BSB)

Bandas novas e a batida pelo espaço VS “panelinhas” da música sergipana

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Banda Alunte questiona os privilégios de outras bandas

Se estar reconhecido como banda se resumisse à vibração de compor um arranjo devidamente adequado para aquela letra que arranca um “muito bom” de um colega crítico apreciador de música, muitas das novas bandas sergipanas não estariam lamentando a falta de valorização. Apesar de só na capital acontecerem mensalmente três projetos promovidos pelo poder público que abrem as portas para apresentação dos sons locais – Freguesia, Som da Orla Pôr do Sol e Rua da Cultura – as bandas reclamam da tal “panelinha” que supostamente estaria privilegiando bandas específicas, através da influência de pessoas da Funcaju e da TV Aperipê, e, com isso, estariam barrando a promulgação da arte musical das novas bandas e seu crescimento no mercado.

  

Não vamos avaliar aqui a qualidade dos sons que têm ou não conquistado a mídia e oportunidades de shows até fora do estado, entretanto, não ser lembrado sequer para tocar à noite em um dos bares da capital, tem incomodado as bandas novas.  É bem verdade que ainda que existam cartas marcadas para ocupar esses espaços, a qualidade musical de uma banda é o diferencial para se ter respaldo. Contudo, a produção de um som com predicados requer recursos, daí mesmo que se tenha o dom, não dá para se garantir sem a harmonia de instrumentos, equalização, ajustes de timbres, voz...

 

A Banda Alunte, por exemplo, nos seus dois anos de existência está montando seu repertório, num estilo indefinido pelo próprio trio que compõe a banda, mas que, como ironizou o vocalista Fábio Barros, “vindos do proletariado - dois professores de inglês e um estudante – a banda tem pouca grana para manter estrutura adequada e até os ensaios em estúdios”. Em Aracaju, os estúdios cobram em média R$ 18 por hora. Para o orçamento da Alunte, "uma hora por semana já tem sido complicado. Muitas bandas em Sergipe sofrem com as panelinhas de bandas de privilegiados, que por influências políticas e econômicas detêm maiores condições de propagar sua música”, disse Fábio Barros, afirmando, inclusive, que a Alunte e outras bandas autorais, que fazem os mesmos reclames, estão se empenhando em um projeto de cooperação para realização de eventos próprios. Olha o que rola no ensaio da Alunte:

 

Rock da Sacada

Em um ritmo semelhante vai a banda A Máquina. Suas apresentações até o momento se limitam às festas entre amigos, geralmente um casarão na Atalaia. Recentemente, eles inovaram realizando por conta própria o Rock na Sacada – a varanda de um dos integrantes da banda serviu de palco aberto na Beira Mar, e as pessoas que estavam no Bar do Rivaldo ao lado foram o público principal. A Máquina está produzindo desde 2007 com um estilo que traz à memória o som dos anos 80, mas em 2008 a banda se fragmentou, e só foi retomada este ano. Para o vocalista João Corumba, “Sergipe precisa multiplicar as suas qualidades artísticas, e que todas as bandas possam fazer parte da cena musical sem haver nisso um ar de competição”, diz ele. Com o single que você confere a seguir, A Máquina concorreu ao IV prêmio Aperipê de Música:

 

Colocando as caras: Lêmures

Enquanto isso, direto da Lapa (Rio de Janeiro), os integrantes da banda sergipana Lêmures dispõem de uma filmagem durante uma caminhada pela região, e após a edição com a Zamus, um empreendimento virtual do coletivo carioca que a banda participa, esse material é publicado como clipe da música Involução pela rede social da Lêmures. Segundo o vocalista Josué Felipe Maia, foi um equívoco: “o vídeo, não é bem clipe, é apenas uma caminhada pelo local que nos acolheu, a Lapa”, diz ele. Realmente, diante do empenho dos Lêmures, e da estrutura um pouco mais favorável, comparada a outras novas bandas, se fosse para ser chamado de clipe não faltaria ao vídeo produção. Mas se atendo ao nosso tema aqui, é notório que oportunidades eles têm.

 

A Lêmures tem menos de um ano e meio e começou já em destaque quando ganhou o prêmio Aperipê de Música. A partir daí a banda, que já contava com investimento próprio, recebeu apoios da iniciativa privada, e chegou a contar com o governo para a viagem recente ao Rio - Festival de Música Latina. Para a Lêmures não faltaram oportunidades nos espaços públicos e em bares da capital. “É lógico que sofremos como outras bandas como falta de um público massivo, coberturas bombásticas... Mas é preciso impor seu trabalho. Acho que está tudo aberto a quem colocar as caras”, considerou Josué Maia, citando que nessa insistência a Lêmures está agora como a única banda que restou do nordeste entre as semifinalistas do Festival Intercultural da América do Sul. A música Involução, postada com o vídeo na Lapa, é muito boa, mas... Vamos por hora de Aos Teus Poréns:

 

Metal com espaço

De fato, até a Banda Silent Vanity, que, por produzir um rock heavy metal, sente a rejeição comum da cultura sergipana, tem conquistado aqui oportunidades. A Rua da Cultura e o Rock Sertão foram espaços de apresentações recentes da banda. “Aos poucos acreditamos que estamos conseguindo nosso espaço. Realmente as bandas já em destaque são mais visadas pela iniciativa privada aqui, que com certeza promove shows com a participação dessas bandas com a intenção de obter retorno com lucro. Mas o que mais falta é uma valorização do público pela música local”, avaliou um dos integrantes da Silent Vanity, Lázaro Cruz. Ouça um pouco do que a Silent Vanity faz:

 

Privilégio para qualidade

Procuramos o Diretor Cultural da Funcaju, Geraldo Krauss, e este, é claro, negou qualquer tipo de privilégio para bandas especificas. Krauss diz que a Funcaju abriu o leque de oportunidades para as novas produções locais. Tanto que nos três projetos da Funcaju, cerca de doze bandas se apresentam mensalmente, e raramente se repetem. Entretanto, Krauss joga a responsabilidade para as próprias bandas ao cobrar qualidade. “Abrimos o espaço, agora quem está ali fez por merecer. Nós não restringimos ninguém, mas a seleção que é feita para dar oportunidade às bandas escritas tem como critério principal a qualidade para se apresentar em um evento público”.

 

Minimizando, o Lindemberg Monteiro, Coordenador Geral da Casa Rua da Cultura, também provocado sobre o tema, soltou um conselho de perseverança, mas trouxe como exemplo a Banda Naurêa (surgida em 2001), um das bandas mais apontadas pelas novas produções como detentora de privilégios. Bem... Aí vai: “Todo inicio é complicado, mas além de trabalhar com a coletividade, tem que se ter investimento próprio sim. Tem bandas de dez anos sacando cartão de crédito para fazer viagens de shows. A Naurêa, por exemplo, mesmo com apoios e campanhas do público precisou disso para ir à Londres, tocar no encerramento das olimpíadas. Então vamos focar que se existe privilégio, o que vai te estabelecer no mercado é a qualidade da produção e as estratégias que você usa”, taxou Lindermberg.

 

PS: Olha aí, internauta, o vídeo Involução da Lêmures.

 

*Raissa Cruz é editora do Universo Político.com, e embora atue principalmente como jornalista política, traz nesta coluna a vertente cultural que muito aprecia.

Coluna atualizada às 21h46, de 19.

 



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