Na Política

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09/03/15 | 14:26h (BSB)

Luciano diz que trabalha pela volta das subvenções, e cita sua disposição de disputar o governo

“Se Deus me der essa chance vou estar com os dois braços. Tenho disposição sim!”

Por Raissa Cruz

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Luciano Bispo, em entrevista ao NaPolítica, comentou da sua disposição de estender o governo do PMDB no Estado com seu nome à disputa de 2018. Embora destaque que seu foco no momento é seu mandato e a eleição de um aliado seu a prefeito de sua terra Itabaiana, Luciano adiantou: “tenho disposição sim!” Questionado sobre as investigações quanto aos destinos das verbas de subvenção da Assembleia o deputado foi incisivo na defesa pela volta da liberação dos recursos, e disse: “a Casa e os deputados estão preparados para se defenderem com tranquilidade”. Zé Franco falou ainda da relação entre o Legislativo e o Executivo na defesa pela autonomia, e citou, inclusive, debates como a questão dos servidores das empresas privadas do Estado que temem demissão, e os problemas da segurança pública.  

 

O ex-presidente deputado Zé Franco, disse que havia recebido a Assembleia Legislativa em ordens das mãos da ex-presidente nomeada conselheira Angélica Guimarães. O senhor confirma isso?

Não quero entrar nesse mérito de organizada ou desorganizada. Até porque se a gente ficar olhando para trás não vamos a lugar nenhum. Mas tenho que me preocupado em organizar a Casa com o meu perfil, com toda tranquilidade. Com boa vontade, conversando muito com os colegas deputados sobre as questões da Casa.

 

Foi complicado para o senhor assumir a Assembleia em um período em que o tema verba de subvenção tem gerado certo desgaste a Casa?

Esse é o momento de só se falar nisso. Mas a subvenção foi e será uma coisa boa para os sergipanos. O que é preciso? Ver se houve alguns equívocos e consertar. Ver as associações que fizeram as coisas como devem ser feitas, prestar as suas contas e procurar um meio, como está todo mundo falando dessa questão da emenda impositiva. Talvez seja a solução mais viável para isso, mas quanto a isso nós temos alguns meses ainda para falar a respeito. Temos que conversar mais com o Tribunal de Justiça. Com o MPE e a própria PGE para fazer um acordo. Defendo a teoria de que não pode prejudicar as entidades que vivem de subvenção.

 

Então o senhor reafirma que a Assembleia não pensou em discutir a possibilidade de acabar com as subvenções?

Pois é, isso não aconteceu. Especularam isso, mas ninguém até hoje, nem a própria justiça mandou acabar com as subvenções. Mandou suspender para que se faça um estudo do que estava se passando com os recursos das subvenções. Ninguém quer acabar com a subvenção, nem um deputado, nem a própria justiça quer.

 

O MPF já anunciou as audiências que irão acontecer com as testemunhas de acusação, no caso os deputados. Como a Assembleia tem recebido esse andamento da investigação?

Esse procedimento ninguém pode evitar, até porque o MPF deverá se manifestar na parte mais eleitoral que vai do dia 5 de julho até o dia 5 de outubro. Existe uma coisa que as pessoas precisam entender: a diferença entre ano eleitoral e período eleitoral. Coisas que podem fazer no ano eleitoral não foram feitas no período eleitoral. Uma hipótese, o Estado tem convênio com as emissoras de rádio e imprensa, mas no período eleitoral não pode ocorrer. Se disseram que a Assembleia tinha pago subvenções no período eleitoral, nós não temos até hoje conhecimento disso. Houve pagamentos no ano eleitoral, e não no período eleitoral! A Casa e os deputados estão preparados para se defenderem com tranquilidade. Quando formos convocados nós iremos apresentar tranquilamente, e vamos lutar para retomar as subvenções. Sou intransigente nisso. Acho que tem que continuar nos próximos quatros anos a pagar as subvenções para as entidades que agiram corretamente serem beneficiadas.

 

Presidente, no dia da sua posse o senhor falou muito em a Casa ser independência apesar de o senhor ser aliado do governador Jackson Barreto e de ele ter maioria na Casa. Foi algum tipo de alerta para lembrar o governador da autonomia do Legislativo?

É porque muita gente acha que por conta do meu relacionamento com o governador Jackson, como cidadão e político, eu deveria deixar a Casa ser subserviente ao Poder Executivo. E não é assim. É preciso saber que o Poder Legislativo tem a sua independência e vai ter, mas somos aliados ao governador. E vemos o respeito dele. Por exemplo, uma equipe do governo nos falou de um projeto da educação para quando o projeto chegar aqui, nós já termos um conhecimento mais abrangente sobre ele. Já fomos lá ver de perto junto com o líder Gualberto. E tem a questão do veto também, que estamos discutindo e está preocupando muito os servidores da CEOP, COHIDRO, e outras.

 

E qual a posição do presidente em relação a isso (o veto à questão que envolve o emprego de servidores das empresas privadas do governo)?

Confio no governador junto com os deputados. Com o veto ou sem veto não ficará ninguém desempregado, é o que nos garantiu. Muito mais do que o veto é a palavra do governador, e a palavra dos 24 deputados. O governador Jackson disse com muita tranquilidade que não tem interesse em desempregar ninguém. O que ele tem interesse e vai fazer é redimensionar o Estado de Sergipe como um todo. E quando você redimensiona você tem reações, mas o foco maior é ninguém perde o emprego. Não é justo você está aqui há 20 anos e de repente você perder seu emprego. Ninguém quer desempregar ninguém.

 

Qual a previsão para a Assembleia encerrar esse debate?

O veto precisa ser lido até o dia 21 de março. Depois se não ler, terá que trancar a pauta, mas nós vamos conversar com o governador para resolver isso o mais rápido possível e dar tranquilidade aqueles que estão intranquilos, porque não querem acreditar na palavra do governador e dessa Casa. Nós não vamos desempregar ninguém!

 

O senhor falou da disposição do governo para tratar com a Casa a questão da educação e sobre a segurança pública? E o que esperar da audiência pública com o secretário de Segurança Pública nesta segunda-feira?

Esse talvez seja o calo do governo que é melhorar a segurança pública. Nós temos um secretário que está chegando e temos que combater não só a criminalidade, tem muitas coisas que passam pelo social. Acho que temos que ver a questão das famílias, dos costumes. Vi Gualberto falar de um exemplo interessante: um garoto de 16 anos se autoelogiando porque recebeu um troco a mais e não quis devolver. Uma pessoa que age assim para fazer uma coisa maior é num instante. Em relação a questão da segurança, vamos fazer em breve aqui uma coisa bem maior. Não é só ouvir o secretário, e sim chamar a sociedade para discutir a segurança pública. Não é só prender, é prender e segurar. Vamos conversar para em abril fazermos um seminário sobre segurança, pois é um assunto que está chateando muito a população.

 

Como anda o processo de implantação de um canal aberto da Assembleia em Sergipe?

Se nós conseguirmos transmitir o sinal aberto, não é só para transmitir as sessões no plenário não, vamos transmitir as sessões das comissões que é onde estão os embates acontecem para que a população possa ver. Nós vamos terça-feira para Brasília, e um representante da bancada de situação e um de oposição e as pessoas ligadas a essa área da comunicação na Assembleia estarão nessa reunião. Estamos indo conversar com Renan Calheiros para ver o que ele pode nos oferecer e adiantar esse processo.

 

O governador do Estado disse em um das propagandas do governo no inicio do ano que agora “é o governo do PMDB trabalhando pra você”. Qual a visão do partido agora que está com o Governo do Estado e a Presidência da Assembleia?

O PMDB sempre sonhou com isso. Jackson Barreto sempre sonhou de um dia chegar ao governo pelo PMDB. E Jackson tem um perfil que eu gosto que é cuidar do povo. Tenho convicção que teremos um governo muito bom. Os recursos que estão aportados para Sergipe, se forem bem aplicados e serão, Jackson será um grande governador. Ele tem esse perfil de trabalhar para o governo e para o povo. Quando ele disse que não vai ser amis candidato, ele não vai ser. Ele não quer mais candidato para ter a liberdade de dar ao povo sergipano um Sergipe bem melhor para que ele possa fazer o que está fazendo, mexendo nessa educação, na saúde.

 

Em sua opinião, quando o governador dar destaque a presença do PMDB agora no poder é para dar sinal de mudança, do que antes era governo do PT?

É uma questão de estilo. Tenho uma forma de governar essa Casa, Zé Franco tinha outra, Angélica tinha outra. É uma questão de estilo. Mas acho o estilo de Jackson muito preocupado com o ser humano. Estou vendo Jackson mexendo na saúde e na pessoa de Zezinho Sobral, que será um grande secretário de saúde que é a preocupação com a oncologia. Um investimento muito maior na oncologia, que tem preocupado o nosso povo. O governo no PMDB não pensa só em obras, e sim no povo também.

 

É verdade que o próprio Luciano Bispo estaria disposto a ser o candidato do PMDB ao governo em 2018, quando o governador Jackson Barreto estará se aposentando, diz ele?

Se Deus me der essa chance vou estar com os dois braços. Tenho disposição sim! Claro que o meu foco é a minha reeleição e eleição de um aliado nosso na prefeitura de Itabaiana. O que vier a mais é sobra e uma honra. Eu já estou a Deus por estar sentado nessa cadeira (na Presidência da Assembleia).

 

O nome que Luciano apoiará para Itabaiana já está definido?

Não, mas temos uns nomes bons para se disputar as eleições de Itabaiana. É claro que a gente o mais rápido possível comece a pensar nisso. Ver o que pode ser feito para que Itabaiana melhore para que aconteça o Ceasa de Itabaiana, o ginásio de esportes e asfaltar alguns povoados do nosso município. Trabalhar sobre a questão de poços artesanais e melhorar o hospital  de Itabaiana, que é muito prejudicado pela pouca atuação do nosso município. Então esse é o foco maior.

 

O que o senhor diz a respeito das criticas que ainda levantam sobre sua gestão em Itabaiana, com citação de dívidas...

Dívidas todo Estado, Município e União possuem. Cheguei em Itabaiana em 89 para ser prefeito. Veja qual o município mais estruturado temos? Itabaiana. Temos praças, creches estradas... Talvez o desgaste de vários mandatos faça com que a gente perca uma eleição. Essa avaliação é boa, e o povo é sábio. Eu tenho consciência de tudo que fiz por Itabaiana. Itabaiana tem 125 anos de vida de emancipação política e 100 mil habitantes, e durante toda vida de Itabaiana, o filho que mais fez por ela se chama Luciano Bispo de Lima, quer a oposição queira ou não queira. Ninguém fez um décimo do que fiz por Itabaiana.  Isso eu me orgulho. Itabaiana com o progresso de qualidade que era nosso slogan foi quem mais atuou entre os Municípios de Sergipe. Cometi alguns erros, cometi, agora ninguém fez o que fiz. E fui prefeito honesto. Vim da família mais rica de Itabaiana, fui prefeito quatro vezes, deputado duas, e moro em uma casa de herança.  

 

Da redação NaPolítica



24-03-2017
 

 

 

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