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25/11/13 | 09:24h (BSB)

Petista entende que PED foi decidido “na troca de favores. Emprego, ajuda...”

“Quando criamos o PT não juntamos petistas prometendo emprego”, diz Chico Buchinho

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Chico: percebe-se prática populista. Mais liberal

Por Joedson Telles

 

O Processo de Eleições Diretas (PED) do Partido dos Trabalhadores foi encerrado com a vitória antecipada do deputado federal Rogério Carvalho para o maior posto do partido em Sergipe: a presidência do Diretório Estadual. A polêmica criada em torno da eleição, todavia, parece viva. O ex-presidente do Diretório Municipal de Aracaju, João Francisco dos Santos, o Chico Buchinho, ligado ao governador Marcelo Déda, ao ex-senador Eduardo Dutra e ainda ao então candidato Márcio Macêdo, acredita que o PT não espelhou no PED deste ano a forma ideológica utilizada em outras eleições. “Houve uma mudança. Quando nós criamos o PT e juntamos essa militância petista nós não fazíamos promessa. Nós não juntamos petistas prometendo emprego. O PT só tinha a oferecer aos militantes a luta, a justiça de fazer um Brasil diferente, um sonho. Hoje é diferente”, diz. A entrevista:

 

 

O que Márcio Macedo quis dizer ao afirmar que Ana Lúcia e a Articulação de Esquerda serão avalistas  de Rogério Carvalho no PT?

O que Márcio quis dizer, na verdade, é que não estamos isentos. O nosso grupo vai continuar participando do PT, atuando como sempre fez, até porque na avaliação e no resultado da última eleição do PED a nossa chapa ficou com metade dos votos, metade dos membros do diretório e metade dos membros da executiva em relação ao grupo de Rogério. Mas, na medida que Rogério e Ana Lúcia decidiram criar uma nova maioria no partido, como está nos jornais, eles serão responsáveis pela condução política do partido. Isso não quer dizer que vamos sair do PT ou não vamos preencher os cargos. Nós vamos preencher os cargos, vamos participar, mas com outro olhar porque a responsabilidade agora da condução é deles, que Rogério dará como presidente. Nós agora vamos fazer parte de um grupo da oposição dessa nova maioria do partido.

 

Márcio disse que ficou estarrecido quando Ana Lúcia decidiu por Rogério Carvalho. É o mesmo sentimento dos demais do grupo?

É o mesmo porque pelas práticas que Rogério teve no PT e vem tendo no processo eleitoral esperávamos que o grupo de Ana Lúcia, por preservar no discurso uma questão mais ética, mais à esquerda, que tivesse uma definição em relação à candidatura de Márcio Macedo. Na medida que não teve, por isso que eu digo que é só no discurso essa questão mais ética de esquerda, nossa surpresa foi em relação a isso. Ela optou em fazer com Rogério uma nova maioria no partido e por isso eles estão com essa responsabilidade maior. Nós também seremos responsáveis pelo que acontecer no partido a partir de agora, mas a definição da política será com esse grupo que irá compor uma nova maioria.

 

E quais seriam essas práticas de Rogério Carvalho?

Isso, no dia-a-dia, percebe-se uma prática mais populista, mais liberal do que é constantemente o PT. O processo a partir de agora é que vai dizer como eles vão dirigir o partido. Eu digo eles  porque coloco no mesmo grupo Ana Lúcia e o grupo de Rogério Carvalho.

 

A forma usada por Rogério, não só para conseguir apoio de lideranças e políticos com mandato, mas, sobretudo, o voto da militância, foi a forma idêntica a que Marcelo Déda e Zé Eduardo sempre usaram ou houve uma mudança de perfil neste PED?

Houve uma mudança. Quando nós criamos o PT e juntamos essa militância petista nós não fazíamos promessa. Nós não juntamos petistas prometendo emprego, até porque quando o PT foi fundado era oposição ao governo estadual, municipal e federal, mas não participava de nada. O PT nasceu das bases dos movimentos, sindicais, sociais, e foi assim que o PT cresceu. O PT só tinha a oferecer aos militantes a luta, a justiça de fazer um Brasil diferente, um sonho. Hoje é diferente. Nós vamos benesses que ao nosso ver se caracteriza como uma forma populista de fazer a política. Você faz prometendo emprego, ajuda, mas também quando não tiver mais isso não tem mais as pessoas porque elas vieram com algum interesse pessoal. Nós  criamos o PT com interesse coletivo, com ideias socialistas de transformar a sociedade brasileira, no processo de inclusão da maioria da população que vive marginalizada, abrir o processo de participação e por isso o PT criou o orçamento participativo nos estados. O Brasil está criando um sistema  nacional de participação social que vai ser transformado em lei. A participação do povo no destino do governo vai ser uma coisa formal legalizada. Tudo isso faz parte de uma política que o PT fez.  Hoje é outro processo. Não é mais o processo inicial da formação do PT

 

O senhor quer dizer que é como se o partido tivesse colocando em xeque o charme da ideologia velada anos e anos?

Exatamente. E nem a proposta política do partido. É muito importante que hoje a gente continue a pautar o partido, aquilo que o partido vai disputar, com o programa de propostas. Vamos pedir o voto do cidadão dizendo que se formos eleitos vamos fazer o programa político do partido, seja numa disputa municipal, estadual ou nacional, ou seja: numa disputa de legislador que também faz parte do Poder. Isso é marca do PT e estaremos brigando para que essa marca nunca deixe de ser a efetiva referência do PT.

 

Há o temor de a nova gestão do PT filiar pessoas sem o perfil histórico do partido?

Como o PT ainda tem uma certa filtragem em relação às pessoas que querem se filiar, porque as filiações que são solicitadas ao PT quando são figuras públicas têm que passar pelo diretório, pela executiva do partido, pelas instancias partidárias, nós vamos fortalecer por essa forma, que não é de fechar porta, mas uma forma de  selecionar e não deixar que pessoas, oportunistas, de pessoas que tenham apenas objetivos eleitoreiros venham fazer parte e se integrar ao PT e amanhã possam até controlar o PT. É um risco grande e por isso temos esse medo. Sabemos que Rogério foi convidado pelo governador Marcelo Déda para assumir a Secretaria de Saúde, ele tinha tido uma militância no movimento estudantil e tem um perfil de um petista de fato histórico e que foi forjado na luta, e acima de tudo pelo que ele fez na saúde, tanto no município quanto no Estado. O que nós não vamos permitir é que ele mude esse perfil.

 

Como o senhor avalia a acusação que Márcio Macedo usou a doença de Déda no PED? Márcio ficou indignado e chegou a cobrar respeito de Rogério Carvalho…

Eu também fiquei bastante triste quando vi que Rogério Carvalho acusou Márcio Macedo de ter usado a doença de Déda na campanha. Pelo contrário. Marcelo Déda fez questão de se manifestar e declarar o seu voto na rede social, fez isso no Twitter, Facebook, e fez questão numa reunião que tivemos aqui de  mandar Pedro Lopes aqui uma semana antes das eleições e falou que estava a pedido de Marcelo Déda. O próprio Zé Eduardo Dutra disse que conversou com Déda  e Déda disse que tinha lado, não veio votar, mas ele declarou voto para chapa de Márcio Macedo e na municipal para Uziel Rios. Ele quis mostrar que apesar do estado de saúde debilitado ele continua acompanhando o trabalho no partido e acreditando naquelas pessoas que com ele fizeram e criaram o Partido dos Trabalhadores.

 

Da redação Universo Político.com



20-10-2017
 

 

 

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