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07/03 | 14:27h

Qual o nosso bom combate?

Sobre gladiadores, tolerância e algumas questões..

 

Admito que  refleti muito  se deveria ou não tocar nesse assunto. Mas acredito que o debate respeitoso é uma das formas mais ricas de exercer nossa cidadania.  E  respeito aqui  é palavra chave junto com tolerância.  Como ponto de partida, acredito que seja importante ser  transparente com você, caro leitor (nem todos fazem parte do meu ciclo de amizade): sou  espírita. Abracei essa crença na busca de uma compreensão mais profunda e íntima em constante busca de uma conexão a uma força superior - que é antes de mais nada amor e inteligência infinitos – Deus.   Se você, instigado cidadão leitor,  parar de ler esse texto ou descartar essas linhas só pelo fato de eu ser espírita...   pode ir..  mas  aproveite e repense um pouco sobre a necessidade de dialogar e conviver pacificamente com o diferente.

 

Mas vamos adiante. Em um mundo com turbulências em que vivemos se faz essencial perceber uma coisa: muitos são os caminhos que levam a Deus e, na essência, muitas religiões se assemelham.  No entanto liberdade religiosa é algo relativo, pois temos o limite do amor e respeito ao próximo. Quem de fato percebe isso muda sua perspectiva. Vê em qualquer ser humano um irmão que busca no seu caminho um encontro com o Divino, com o sagrado.

 

Lembro de um caso que aconteceu com minha turma quando eu ainda era estudante de jornalismo.  Fiz meu curso na Universidade Católica de Pernambuco e, na época, qualquer aluno de todos os cursos era obrigado a cursar as disciplinas básicas  “Teologia 1”  e  “Teologia 2”.  O que parecia um suplício para alguns alunos de cursos como matemática ou engenharia que se perguntavam a razão de cursar tais disciplinas, eu achava o máximo aguçar ainda mais a curiosidade jornalística no campo religioso. Lembro que em um dos trabalhos fomos entrevistar um sheik árabe em uma mesquita.  Lembro que surgiu a pergunta (não sei quem foi o corajoso na hora): “E essa tal de Guerra Santa que diz que precisa ter o alcorão em uma mão e uma espada em outra”.   O sheik um senhor alto, de pele morena (devia ter uns 50 e tantos anos) deu um sorriso leve. 

 

Sabe aqueles sorrisos dos bons educadores que não perdem uma boa oportunidade? E  foi direto ao ponto em uma resposta que guardo até hoje:  “a  guerra santa que se fala é uma guerra íntima contra nossos vícios, nossas  dificuldades.  O  problema é que alguns extremistas  fazem uma  leitura  radical disso”.  Isso ficou na minha cabeça até hoje,  quando penso nos cristãos que se esforçam intimamente para serem pessoas melhores, nos budistas que pensam nas causas e efeitos de suas atitudes, nos espíritas que falam tanto na reforma íntima.   Como diria o Dalai Lama quando foi provocado por um teólogo que perguntou qual a melhor religião... Na ponta da língua ele respondeu: “Aquela que te faz uma pessoa melhor”.

 

Vivemos em uma época que a internet virou uma ágora vasta e ruidosa,  onde cada um quer ter sua voz. Mas democracia é também saber respeitar a crença do outro, discutir de forma respeitosa, saber falar.  O facebook às vezes vira uma tribunal inquisidor (como diria o genial Tom Zé no seu  CD Tribunal do Feicibuqui.

 

Mas ser tolerante e respeitoso, não é deixar o debate de lado.  Precisamos sim discutir certas coisas.  E uma delas é o novo projeto da Igreja Universal denominado Gladiadores do Altar. Um vídeo de jovens fazendo saudações, gritando palavras de ordem tem dado o que falar na internet.  Na explicação de matéria no próprio portal da Universal  diz que o projeto faz parte de um programa de formação de novos pastores para dedicar-se exclusivamente a pregar a crença.

 

No entanto vale questionar: em um mundo com histórias tristes como o fascismo do século XX e os grupos extremistas como os do Estado Islâmico de hoje, criar um projeto com esse tipo de simbolismo não é uma afronte ao amor e à tolerância pregadas pelo próprio Jesus? Será que a única forma de tirar jovens da vulnerabilidade social e conectá-los a Deus é criando um “exército”?   O bom combate que o apóstolo Paulo de Tarso pregou não seria um combate para melhorar a  si mesmo e consequentemente o mundo? Não seria melhor educar o jovem para ser um agente transformador de sua realidade exercendo a tolerância, o respeito e a consciência crítica? São perguntas que podem ser colocadas para o debate. Nosso passado, enquanto humanidade, não nos permite mais ficar calados ou omissos diante de certas questões.

 

Não sou especialista em análises mais profundas ou ciências da religião, mas acredito que devemos observar com atenção esse projeto da Universal, procurar entender e sim questioná-lo no que achamos pertinente, de forma respeitosa. A Igreja Universal do Reino de Deus já negou oficialmente que pretende criar algum grupo paramilitar. Vivemos em um mundo que busca paz, tolerância e respeito e talvez por isso devemos buscar uma compreensão mais ampla e aprofundada das coisas.

 

Uma coisa é certa: em um país que é um belo mosaico religioso, a tolerância deve ser exercida através do diálogo respeitoso. E vale também nos questionarmos: onde está o nosso nível de tolerância se colocamos todas as religiões petencostais em um só rótulo?  Existem muitas pessoas boas em boa parte das religiões, pessoas sinceramente esforçadas a se melhorarem e deixar esse mundo um lugar melhor. Precisamos conectar e fortalecer os laços de quem está disposto a um diálogo ecumênico, na busca de uma evolução conjunta em um  mundo onde o consumo e o materialismo ainda são muito presentes. 

 

Leia, aprofunde-se, estude e, principalmente tente escutar o outro, instigado cidadão. Discutir religião pode, da maneira certa, ser algo muito proveitoso. A forma de se ligar a Deus pode ser a mais variada possível, mas antes de mais nada deve te transformar em uma pessoa melhor.

Axé, shaloom, aleluia, amém, namastê e assim seja!

 

PS.:  No clima de um amor que tolere e respeite as diferenças vale assistir a campanha  Love Has No Labels (Amor não tem rótulos) uma bela ação feita no valentine’s day (dia dos namorados nos EUA) desse ano.

 

* Thiago Paulino é  aracajuano, jornalista, roteirista e editor de texto.  Jornalista pós graduado em Jornalismo Cultural e Mestre em Mídia e Cultura. Colunista do NaPolítica com a Cidadania Instigada.




22-07-2017
 

 

 

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