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30/01 | 16:51h

Novo shopping em Aracaju? Que modelo de cidade queremos?

Um novo shopping de Aracaju localizado no Bairro Industrial já foi anunciado e até página no facebook já tem. Depois de demolirem uma parte significativa da história de Aracaju: os galpões das antigas industrias da área (somente a igreja foi preservada). Fica no ar o grande questionamento: que modelo de cidade queremos?

 

Será realmente necessário um novo Shopping na cidade. Acredito que não.. Pelo menos até que outras respostas possam de fato serem dadas: como a população local do bairro (que sofre com índices de violência) poderá ser absorvida em empregos se não são nem cuidadas com políticas básicas de educação e saúde? Onde estão os relatórios que avaliem os impactos no trânsito da área, na poluição e na vida da vizinhança?

 

Os modelos de Shoppings Parques tem se espalhado pelo mundo. Na Turquia a demolição para construção de um empreendimentos gerou diversos protestos (que irradiaram outros em 2013). Recentemente quem esteve mais antenado na internet pode acompanhar a briga dos movimentos sociais em Recife para que 12 torres de um mega- empreendimento não fossem construídos na área do Cais José Estelita.

 

A necessidade de áreas verdes, parques esportivos e espaços culturais educativos de fato podem transformar a cara de uma bairro, e da cidade. Mas estes não dão lucro a grupos de shopping que são rápidos e agem sob a tutela de um poder público complacente. É muito simbólico que boas (mas tímidas iniciativas) como o a do “Complexo” Esportivo Dona Finha fique relegada a debaixo da ponte. Em tempo.. Dona Finha era uma das mais ilustres torcedoras do Confiança uma homenagem a um dos personagens da história do bairro e do time que “nasceu” no bairro.

 

Sempre bom citar o caso das Bibliotecas- Centros Culturais de Medellín na Colômbia (vale dar uma navegada na net para conhecer essa história). A cidade estava no ranking das mais violentas do mundo. Para se ter uma ideia como o negócio lá era feio: o índice de violência no início dos anos 90 era de 360 por 100 mil habitantes (em capitais como Rio de Janeiro e São Paulo esse número varia de 20 a 39 homicídio a cada 100 mil habitantes). Medellín vivia uma verdadeira guerra civil entre narcotráfico, Estado e milícias. Os jovens eram os principais recrutas nessa linha de guerra.

 

Investimento massivo em áreas de lazer e cultura arrojadas nos locais mais violentos mudou essa realidade drasticamente ao longo dos anos. Quem pesquisar imagens das bibliotecas de Medellín ficará impressionado com sua beleza arquitetônica. Fortes investimentos em movimentos locais foi outra saída, dialogando coma cena Hip Hop e outros movimentos. Hoje a cidade ainda possui taxas de homicídio, mas nada que se compare aos números de décadas anteriores.

 

Naturalmente não viemos em uma Medellín, mas é inegável a urgência de investir na juventude do bairro industrial, o tráfico infelizmente também faz parte da nossa realidade em Aracaju. Será que o consumo e a criação de um espaço que estimule ainda mais a desigualdade material é realmente uma boa saída? E aí instigado cidadão.. responda?!

 

* Thiago Paulino é  aracajuano, jornalista, roteirista e editor de texto.  Jornalista pós graduado em Jornalismo Cultural e Mestre em Mídia e Cultura. Colunista do NaPolítica com a Cidadania Instigada.




23-09-2017
 

 

 

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