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21/06 | 07:45h

O dia seguinte da Geração #BrasilAcordou ou #Alémdos20(centavos)

Por Thiago Paulino

Manifestações que surpreendam em dimensão e números são difíceis de analisar. Por mais que alguém se arvore a cantar verdades será raramente preciso, completo ou profundo ao descrever um panorama. O caldo ainda está em ebulição. E, não se engane, estamos todos na mesma panela. É difícil analisar um processo histórico quando estamos mergulhados nele. Mas vale lembrar alguns aspectos:

 

Não confunda manifestação pacífica com ausência de conflitos e jogos de poder - Uma grande quantidade de gente na rua protestando não significa que os conflitos e jogos de interesse deixem de acontecer. Como a socióloga Marília Moschkovich escreveu   fatos estranhos aconteceram em São Paulo e não foram orquestrado pelo MPL (Movimento Passe Livre). A socióloga conhece muito bem o MPL - articulador do movimento por um transporte decente e outra concepção de mobilidade em SP – e montou um quebra-cabeça de peças estranhas. Ir às ruas não significa que vereadores que votaram no aumento, não irão tirar proveito da “festa da democracia”, não significa que coberturas jornalísticas sigam interesses específicos e apontem para lados opostos. Infiltrações existem e nem sempre apontam para melhorias. Mas uma coisa é certa: a cultura política já demonstra ser outra, independente do seu posicionamento.

 

Apartidarismo não é apatia política - “O povo unido não precisa de partido” estava em um dos cartazes. Isso demonstra a clara falência de espaços tradicionais da política partidária. São rachaduras de um sistema representativo que já estava ruindo há um tempo. Heranças históricas e que apontam para uma reforma política urgente. Mudanças são necessárias em um sistema onde parlamentares representam interesses de quem os financiou; onde o clientelismo prevalece; onde a cultura do ato ilícito precisa ser punida de forma eficaz e justa. Ficha limpa já foi uma vitória, mas ainda há muito o que discutir: quem e como se financia uma campanha política? como melhorar as instâncias de fiscalização e a sua eficiência? como acabar privilégios exagerados de gestores e parlamentares? como estimular a educação política crítica nas escolas? como obrigar a prestação de contas dos gestores e o cumprimento de promessas?

 

Pluralidade não pode ser bússola sem norte - licitação sobre para um transporte público decente e preço de passagem justo; saúde pública preventiva com eficiente aplicação do dinheiro dos impostos; comissão de direitos humanos com justiça social e sem a cura gay; melhoria urgente no sistema educacional e valorização dos educadores; menos poluição e mais arborização; Copa do Mundo sem expulsão de moradores, com transparência e punição para esquemas ilícitos. O ser humano é complexo, a realidade idem. O caminho é discutir prioridades e aprimorar soluções. Conselhos participativos, acompanhamentos do trabalho dos representantes são formas de dar continuidades ao que se coloca nos cartazes.

 

Enfim, pela revolução cotidiana do dia a dia - Cidadania se coloca em prática em qualquer hora da semana e, acredite... sim... seu poder de influência vai mais longe do que você imagina. Desde um suborno colocado no nível de esperteza na mesa de bar, um gesto de cordialidade na faixa de pedestre, uma reclamação na ouvidoria de um serviço público checando a solução; a adoção de algum animal abandonado; o plantio de uma árvore no bairro. Tudo isso ajuda na transformação. E lembre-se: a corrupção não é algo só em instâncias superiores, ela pode é endêmica inclusive nos pequenos atos. Ou como diria o jornalista Saulo Coelho: “Parabéns pra você, que não protestou quando viu pais de alunos na porta da escola com as crianças sem cinto e em pé no meio dos bancos e nem ameaçou tirar seu filho se a escola não tomasse as rédeas do trânsito na sua própria calçada. Parabéns pra você que entra em fila dupla no retorno, mesmo sem estar com pressa (só pra exercer a sua filhadaputice mesmo), que fura fila no supermercado, no banco, que para na vaga de idoso ou pessoa com deficiência, que não para na faixa do pedestre, que tira uma xeroxzinha pra uso pessoal na copiadora da repartição ("uma só não vai fazer falta, né?"), que não acompanha o desenvolvimento emocional e educacional do seu filho e só cobra dele boas notas pra poder receber grana.”

 

* Thiago Paulino é  aracajuano, jornalista, roteirista e editor de texto.  Pós graduado em Jornalismo Cultural e Mestre em Mídia e Cultura.

 




28-05-2017
 

 

 

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