Na Política

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28/03/11 | 21:56h (BSB)

Brasil: entre o oceano e o espanhol

Os meios de comunicação sem dúvida alguma desempenham um papel importante na sociedade. O poder destes é tão forte que são capazes de formar a opinião pública e, portanto, nos fazem perceber os fenômenos sociais. Até aqui não disse nada novo, mas destaco o anterior, porque me parece que existe uma distorção na forma que alguns meios de comunicação querem manejar o interesse que os brasileiros podem ter em aprender espanhol.

 

Ao revisar alguns textos de jornais, fica a impressão de que aos brasileiros interessa estudar espanhol porque a Espanha é o segundo investidor no Brasil ou porque o espanhol pouco a pouco está ganhando o terreno português. Ressalto um par de notas que nos últimos dias se publicaram na Espanha:

 

"La conversación entre Dilma y el Príncipe duró 40 minutos en los que el intérprete tuvo poco trabajo porque ambos se entendieron en casi todo. Ambos recordaron que las empresas españolas están ya muy presentes y activas en Brasil en sectores básicos como telecomunicaciones, bancos y energía".

 

"El español entra despacio, pero no para. La creciente demanda se ha notado también en las nueve sedes que el Instituto Cervantes tiene en Brasil, cuyas matrículas han pasado de 2.308 en 2006 a más de 16.000 en 2010".

 

Após ler estes tipos de notícias, não deveríamos nos surpreender que alguns leitores espanhóis realizem comentários à nota jornalística como: "A Espanha deveria deixar de subsidiar estes tipos de coisas".

 

Desta forma, fica a reflexão se o investimento espanhol é tão forte que os brasileiros terão que aprender espanhol ou se o investimento espanhol é responsável em grande parte pela crescente demanda do idioma no Brasil. Para dizer a verdade, desconheço os números exatos do investimento espanhol no Brasil, mas é preocupante que se realize uma leitura demasiadamente simplista do porque do interesse dos brasileiros em aprender espanhol.

 

Fernando Henrique Cardoso, explicou uma das razões desse por que: "O Brasil é um país situado entre o oceano e o espanhol". Mas, quem viveu nesse país percebe que entre os brasileiros existe esse espírito "latinoamericanista". Estes crêem na integração da região e são conscientes da sua atual liderança. Contudo, os brasileiros não se sentem ameaçados pelo idioma, ao contrário, o Brasil é um bom exemplo de como se enriquece um país sem perder a sua essência.

 

Por uma questão de reciprocidade e pela proximidade geográfica, é um desafio tanto para Espanha como para os demais países da América do Sul, introduzir o português como segundo idioma nas escolas. Dessa maneira poderemos desconstruir essa visão de idiomas colonialistas e começar-se-á a trabalhar de maneira conjunta como região.

 

Mas, estaríam os espanhóis interessados em aprender português? E os países do Mercosul serão capazes de introduzir em seus sistemas educativos o português? Se as respostas são afirmativas, qual papel dos meios de comunicação para fomentar o interesse em aprender o idioma que fala o vizinho?

  

Fran Espinoza é Politologo, graduado na Universidade Rafael Landivar (Guatemala), Mestrado em Estudos Internacionais de Paz, Conflito e Desenvolvimento, Universidade Jaume I, Castellón (Espanya), doutorando em Estudos Internacionais e Interculturais, Universidade de Deusto, Vizcaya, Espanha. Contatos: espinoza.fran@gmail.com

*Os textos publicados neste espaço são de responsabilidade única de seus autores.



30-11-2020
 

 

 

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