Na Política

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19/10/09 | 12:16h (BSB)

Bolívia: Mais Evo Morales?

Localizada no centro de Sul a América com uma extensão territorial de 1,098,000 km2 e com uma população de aproximadamente de 10,000,00 de habitantes. Segundo o último relatório de desenvolvimento do PNUD, a Bolívia se encontra no lugar 113 de 177 nações, é o país com os piores níveis de desenvolvimento da região sul-americana. De acordo ao relatório de Transparência Internacional para o ano 2008, a Bolívia ocupa o posto 102 de corrupção de 177 países.

 

As de eleições do ano 2002 deram a vitória a Gonzalo Sánchez de Lozada, permitindo-lhe desta maneira governar um segundo mandato, período que não pôde completar pelas convulsões sociais de fevereiro de 2003, decorrente do enfrentamento entre militares e policiais, devido aos impostos aos salários e a rebelião popular de outubro do mesmo ano, que deixo mais de 60 mortos e cerca de 500 feridos na denominada - guerra do gás.

 

Como resultado dos violentos conflitos de outubro negro, Sánchez de Lozada, renúncia e toma o cargo Carlos De Mesa, jornalista, historiador e ex - vice-presidente de Sánchez de Lozada. De Mesa assume com a agenda de outubro, em outras palavras com o compromisso de viabilizar e institucionalizar os comerciais que levaram ao país à beira da ingovernabilidade.

 

A segunda crise social e política - a guerra do gás - se deu pelo pronunciamento do Congresso quando se aumento imposto para as companhias estrangeiras de 18% até 32%. Naquele momento Evo Morales e Felipe Quispe, tomaram a liderança dos protestos e consideraram que essa lei não beneficiaria à Bolívia, esse é o momento código para iniciar os bloqueios que isolariam a cidade da Paz. A pressão foi tão grande sobre o então presidente Carlos De Mesa que teve que demitir.

 

As eleições realizadas no dia 18 de dezembro de 2005, dão como vencedor absoluto a Evo Morales dos Movimentos ao Socialismo - MAS, alcançando 54% dos votos válidos. O ocidente foi importante para ao triunfo de Morales, em dita região se concentra quase dois terços da população de bolivianos, uma população majoritariamente empobrecida, e de origem quíchua e aimará. Essa vitória de Evo Morales se interpretou como - ventos de mudanças - não somente para a Bolívia, mas também para muitos países latino-americanos, já que pela primeira vez que um indígena estaria ocupando a presidência da Bolívia.

 

A proposta do programa político de Evo Morales, buscaria a transformação da estrutura socioeconômica, reformar o Estado e reverter a desigualdade social. Um dos primeiros obstáculos que encontrou o novo presidente, foi que o resultado das eleições de perfeitos, só três dos nove eleitos foram do MAS, ficando assim demonstrado o peso que tinham as liderança locais, sobretudo na Meia Luna, localizada no orienta do país e composta por Tarija, Santa Cruz, Beni e Pando.

 

Nessa parte do país se concentra um pouco mais de um terço da população, além disso é considera a - Outra a Bolívia - por contar com as maiores empresas agroindustriais e pecuaristas e sobretudo porque é na Meia Luna onde se concentram os hidrocarbonetos.

 

Que se passou neste primeiro mandato de Evo Morales? Em primeiro lugar é bastante difícil encontrar um balanço neutro, se buscamos relatórios de organismo internacionais como os do PNUD, vemos que a situação do país não tem mudado de forma significativa, possivelmente seria preciso esperar mais tempo ou outro mandato de Morales?

 

Morales se caracterizou por ter um discurso radical mesmo que as reformas tomadas foram bastante moderadas, algumas vezes se viu obrigado a ceder frente às demandas do oriente, especialmente com a lei de hidrocarbonetos, reforma agrária e a questão autônoma. É bastante difícil agradar ao oriente e ao ocidente do país.

 

Em segundo lugar, sua tentativa por mudar - o Estado colonial - lhe serviu para polarizar mais o país, encontrou claros inimigos em nível nacionais, com seu discurso sobre - oligarquia latifundiária e elite branca -. Em nível internacional, seus maiores inimigos são as empresas estrangeiras e os Estados Unidos, aos que constantemente ataca verbalmente.

 

Recentemente iniciou a campanha eleitoral na Bolívia para as eleições do 6 de dezembro de 2009. De acordo com algumas pesquisas realizadas por meios bolivianos lhe outorgam uma vantagem entre o 29 e 31 pontos percentuais de intenção de voto com relação a seu rivais Manfred Reyes Villa do Plano Progresso (16%) e Samuel Doria Medina (8%). Esta vantagem lhe permitiria a Evo Morales ganhar as eleições na primeira rodada e obter uma grande maioria no Senado.

 

De ser verdadeira estas pesquisas Evo Morales, se enfrentará com alguns temas pendentes de resolver, por exemplo, a recuperação das terras para cultivos comunitários por ser uma das principais demandas dos povos indígenas e ao mesmo tempo um dos temas mais conflitantes. As autonomias regionais, o oriente votou claramente a favor delas no referendo do 2006, o presidente os assinala de separatistas.

 

As maiores reservas de gás estão situadas em Santa Cruz de la Sierra e Tarija, estes dois departamentos não estão de acordo que o Estado se fique com 82% dos ganhos, é um tema que vem provocando conflitos não somente na Bolívia, mas também com os maiores investidores Petrobras do Brasil e Repsol da Espanha.

 

A pergunta que se desprende do anterior, poderá Evo Morales fechar as brechas sociais, étnicas, políticas e regionais no seu próximo mandato?

 

Fran Espinoza é Politologo, graduado na Universidade Rafael Landivar (Guatemala), Mestrado em Estudos Internacionais de Paz, Conflito e Desenvolvimento, Universidade Jaume I, Castellón (Espanya), doutorando em Estudos Internacionais e Interculturais, Universidade de Deusto, Vizcaya, Espanha.
Contato: espinoza.fran@gmail.com

*Os textos publicados neste espaço são de responsabilidade única de seus autores.

 

 



30-11-2020
 

 

 

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